Milton DóriaBenefíciosGilson Bergoc, professor do Cesulon e um dos coordenadores do projetoImplantado e gerenciado por uma entidade de classe, a quem não compete o papel de atender a demanda da moradia popular, fruto da defasagem ou deficiência de uma política habitacional justa, o Projeto Casa Fácil tornou-se, nestes últimos quatro anos, alternativa de atendimento social a um direito básico de cidadania.
A possibilidade desta prestação de serviços, realizada gratuitamente pelo Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina, ocorre, essencialmente, pelo entendimento, integração e cooperação de docentes e alunos dos cursos de engenharia e arquitetura da Universidade Estadual de Londrina e Centro de Estudos Superiores de Londrina. Certificado pelo Crea-Pr como estágio curricular e ou extra-curricular, o trabalho de atendimento é realizado por estudantes recrutados, anualmente, com orientação e supervisão de docentes credenciados para esta atividade.
Este trabalho de participação efetiva proporciona ao aluno, uma visão completa e real de sua atividade profissional futura.‘‘Através deste trabalho, é possível ao aluno agregar valores reais de entendimento prático profissional’’, argumenta o professor e arquiteto, Gilson Jacob Bergoc. Docente e responsável pela coordenação das atividades estabelecidas pela parceria Cesulon-Casa Fácil, ele diz ainda que, é através deste atendimento, que o programa realiza sua principal atividade social.
‘‘O Casa Fácil demonstra a importância para a população de baixa renda de que todos serviços, inerentes à atividade destes profissionais, contribuem diretamente para a melhoria da qualidade de vida de toda a comunidade’’. Ele exemplifica: ‘‘Desde o primeiro atendimento, quando são levantados os dados que irão suprir as necessidades e desejos do futuro morador, e analisadas as possibilidades do terreno, o usuário torna-se ciente da importância que tem a construção regularizada. Ele vai ser informado, por exemplo, que existem razões técnicas, que vão garantir a toda sua família, uma vida mais saudável. É na hora em que ele está definindo qual será sua planta, que, muitas vezes, fica claro que o conforto não está ligado apenas a um novo e próprio espaço; que não basta apenas ter condições econômicas para erguer as paredes. É preciso também saber sobre a necessidade da presença do sol, por pelo menos duas horas, nos quartos; ou da importância da ventilação. Estes fatores, além de gerar qualidade na moradia, valorizam a obra, contribuem para o crescimento urbano de forma organizada’’.
As 3.200 casas construídas a partir de 93, data do início do novo modelo do Projeto Casa Fácil são hoje referencial de sucesso em todo o País, principalmente porque utilizou na seleção dos participantes um sistema de triagem que possibilitou a realização de uma pesquisa.
A sociológa Adriana Camponez, através de uma pesquisa traçou e documemtou em trabalho de tese o perfil desse usuário. Constatou-se que o tamanho médio das residências é de 55 m2; que são os homens casados e na faixa etária entre 25 e 29 anos que mais solicitam ajuda técnica. Eles representam 17.98%. São também os homens alfabetizados e primeiro grau completo que detêm o maior percentual entre os usários (23%).

mockup