'Bunkers' ganham espaço na arquitetura
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domingo, 08 de fevereiro de 2004
Agência Estado 
São Paulo - O medo da violência tem levado paulistas e cariocas a montarem operações de guerra para se proteger. Depois da disseminação dos sistemas de vigilância interna, com filmadoras nos quatro cantos do imóvel, a última palavra em segurança é a construção de células seguras - ou ''quartos do pânico'' - dentro de casa. O projeto é baseado nos bunkers construídos em áreas de risco de embate militar: paredes, portas e janelas blindadas podem resistir até a ataques com submetralhadores e fuzis. No caso das células de sobrevivência residenciais e comerciais, tudo vem devidamente decorado, em consonância com o projeto arquitetônico do ambiente.
Tanta proteção, é claro, custa caro. O metro quadrado de uma parede blindada não sai por menos de R$ 800. Uma porta básica, com chapa de aço embutida, vale cerca de R$ 3 mil. O nível médio de blindagem de janelas, por sua vez, custa de R$ 1 mil a R$ 1,2 mil o metro quadrado. ''O preço de um quarto de segurança varia muito, de acordo com as exigências do cliente. Podemos blindar uma única janela ou construir um cômodo inteiro com diferentes níveis de segurança'', explica o engenheiro Luis Stangenhaus, sócio da Vault & Digital, empresa paulista especializada na construção de bunkers.
Uma das pioneiras no mercado brasileiro, a empresa instalou desde 1992 cerca de 300 bunkers em São Paulo, dos quais 75% em residências. Inicialmente, a clientela estava de olho apenas em portas blindadas. Com a escalada da violência, sobretudo nos últimos anos, a proteção de todo o imóvel contra possíveis invasões ganhou escala. ''Tudo começou em 1992, com a importação de uma porta blindada'', conta Stangenhaus. Dois anos depois, com know how e contratos em carteira, a própria Vault & Digital passou a fabricar as peças de forma artesanal.
A produção em larga escala teve início há três anos, com a contratação, em regime de terceirização, de uma linha da Cabel Industrial, fabricante de autopeças instalada em Santana do Parnaíba (SP). ''Eles passaram a fabricar portas em série para a Vault e demais acessórios de segurança'', diz o engenheiro. Os itens mencionados variam de fechaduras superseguras a barreiras mecânicas, instaladas no chão, com o objetivo de impedir a entrada ou saída de veículos suspeitos - como aquelas comumente encontradas em embaixadas. Atualmente, apenas as fechaduras eletrônicas de solenóides (condutores em espiral) ou eletromagnéticas são importadas.
O diferencial da Vault & Digital, segundo o engenheiro, está no tipo de serviço prestado pela empresa. Ao invés de apenas fornecer os equipamentos de segurança, os três sócios optaram por oferecer consultoria aos clientes, indicando quais níveis de blindagem estão mais adequados, o local de construção da célula de segurança - pode ser um quarto, lavabo ou até mesmo um novo cômodo - e, no final do projeto, a decoração. ''É muito importante que a célula de segurança não fique evidente, justamente para não atrair a atenção de possíveis invasores'', justifica.


