Quatro terrenos e quatro casas alugadas compunham o patrimônio de Paulino Sussumi Yoshitami após nove anos de trabalho no Japão. O plano era construir mais imóveis e sustentar a família com os aluguéis. Milhares de brasileiros que ainda emigram para outros países possuem o mesmo objetivo. Graças a isso, este dekassegui encontrou uma nova profissão: construtor. ''Começei pela minha casa e, aos poucos, amigos e conhecidos solicitaram que eu construísse para eles. Alguns clientes conhecem seu imóvel apenas pelo computador e confiam a mim até a escolha da imobiliária que administrará esse bem'', comentou.
Em seis anos, a equipe de Yoshitami contabiliza 300 casas erguidas apenas na região norte de Londrina. São imóveis que variam de 100 a 200 metros quadrados de área, entregues ao comprador por até R$ 270 mil (conforme o tamanho, projeto e acabamentos), ao longo e após a construção. Em 2004, eles venderam 14 casas para uma única família que - ao todo - gastou R$ 600 mil.
''Normalmente, nos comunicamos por e-mail, MSN e telefonemas, a qualquer hora em qualquer dia. Ao contrário da maioria das pessoas, trabalho mais aos sábados e domingos, prestando contas, esclarecendo dúvidas e negociando com os clientes. Com a tecnologia à mão, não é mais preciso depender dos parentes para investir à distância'', disse Yoshitami.
A baixa cotação do dólar no Brasil reduziu o volume das remessas vindas do exterior nos últimos meses. Alguns imigrantes chegam a adiar seu retorno ao País de origem para evitar perda na conversão monetária. ''Outro fator que colabora para essa situação é o aumento no consumo desses trabalhadores. Diferente dos pais e irmãos mais velhos, eles cedem mais facilmente à tentação dos eletroeletrônicos, viagens e objetos que oferecem mais conforto no dia-a-dia'', disse Mário Takahashi, que viveu no Japão entre 1990 e 1995 e, hoje, é proprietário de uma imobiliária em Londrina.
Independente da quantidade, o dinheiro que os brasileiros que vivem fora do País injetam no mercado de imóveis é - no mínimo - razoável. Conforme o imobiliarista Hélio Tsutsui, existem 100 mil brasileiros trabalhando na Inglaterra, 300 mil no Japão e 800 mil nos Estados Unidos. ''A economia que eles aplicam no Brasil, sem dúvida, é importante para o faturamente das indústrias, comércio e prestação de serviços. Apesar dos milhares de dólares convertidos em alimentos, roupas, estudo e moradia, ainda sofremos com o desemprego, fome e violência. Imagine se este dinheiro não existisse?''.
Hoje em dia, embora outros investimentos rendam mais que os aluguéis, o imóvel ainda é muito procurado devido à segurança que transmite. É um bem de raiz capaz de salvar o proprietário de uma crise econômica ou facilitar a vida dos herdeiros. ''Talvez, não seja o melhor momento para a compra, mas a solidez de um imóvel é sempre um forte apelo comercial'', disse Rafael Tomazini, gerente de locação da imobiliária João de Barro.

mockup