Em 12 anos, muita coisa muda. Ainda mais quando se fala do crescimento de Londrina em direção à Região Sul, onde se localiza a almejada Gleba Palhano. Graças a esse novo ponto de interesse no setor imobiliário (a mudança da lei de zoneamento alavancou a construção civil a partir de 1998) a Avenida Madre Leônia Milito vem sendo modificada em seu perfil com a instalação do comércio, atraído pelos moradores dos novos condomínios da região.
  Segundo o Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon-PR), a Gleba Palhano cresce acima da média do setor. Enquanto o crescimento da construção civil em Londrina teve uma média anual de 6% nos últimos anos, a projeção para a Gleba gira em torno dos 8% a 9%. De acordo com previsões levantadas com as construtoras, a região deve, nos próximos dez anos, ter cerca de 50 mil moradores. Até o momento, a população estimada está em 20 mil.
  Há quem compare a região aos ‘‘Jardins’’, bairro nobre de São Paulo. Nelson Kataoka, da Nelson Boulangerie, apostou que a avenida se tornaria parte do ‘‘Jardins’’ de Londrina e transferiu seu negócio da Rua Senador Souza Naves (área central) para aquela região. Para ele, o local pode ter seu ‘‘charme’’ comparado ao do bairro paulista.
  De Armarinhos Paulista, a Movelaria Franco, de Sérgio Franco, foi atrás dos clientes da classe A da Gleba Palhano. A empresa esteve estabelecida por 50 anos no centro da cidade, até se mudar para a Madre Leônia, há três anos. O terreno onde a loja atualmente está localizada foi adquirido há exatamente 12 anos, em troca de um imóvel residencial no Bairro Tucanos (Zona Sul). No entanto, ele aguardou o crescimento da região para iniciar a construção da loja. Há quatro anos, quando as obras começaram, a rua ao lado – a Mar Vermelho – ainda nem havia sido asfaltada.
  Franco hoje acredita que o negócio valeu a pena. No andar de cima, foi instalada recentemente a boate Mansão Palhano. ‘‘Era um lugar em que a cidade ainda tinha que crescer. Comprei a área ainda como se fosse sítio, por alqueire. Hoje, compra-se por metro quadrado. A região cada vez está valorizando mais e não só com valorização monetária, mas de serviços, atendimento e oferta de produtos’’, salienta.
  Nos próximos três anos, mais cinco empreendimentos com perfil comercial devem ser entregues só pela imobiliária Raul Fulgêncio na Gleba Palhano. O empresário ressalta que o grande volume de moradores que estão se dirigindo à região têm poder de compra e que aquele é o ‘‘corredor’’ que concentra todo o Produto Interno Bruto da cidade, fato que o levou a desenvolver também projetos comerciais na região. As redes varejistas Decathlon (francesa) e Havan (catarinense) devem, até junho do próximo ano, estarem instaladas no alto da Avenida Madre Leônia, já nas proximidades do Catuaí.
Demanda
  A grande demanda sentida pelos moradores da região, de acordo com Fulgêncio, é por serviços básicos do dia a dia como mercados, sacolão, cabeleireiro, padaria, pet shop, posto de gasolina, entre outros. ‘‘É uma grande oportunidade de negócio para os lojistas’’, diz.
  Para ele, o crescimento comercial da região só não foi mais rápido por conta dos alto preços dos terrenos. ‘‘Tudo o que se constrói lá, loca. Na nossa pesquisa, as principais lojas da cidade querem estar naquele local, mas é muito caro. Por isso estamos desenvolvendo projetos de várias lojas. Fica mais viável’’, avalia. Entre os empreendimentos previstos pela imobiliária, três são prédios comerciais. Somando a estrutura dos empreendimentos, o bairro deverá ter espaço para mais 33 lojas.

mockup