Benefício ao setor virá a longo prazo
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domingo, 07 de dezembro de 1997
Lorena Aubrift Klenk Curitiba 
A alta nas taxas de juros praticadas no Brasil não permitiu ao setor imobiliário festejar a criação do Sistema de Financiamento Imobiliário (SFI), sancionada no final de novembro pelo presidente Fernando Henrique Cardoso. A previsão é que o SFI - concebido para ser uma nova opção de financiamento de imóveis e alavancar o setor da construção - só vai sair do papel depois que os juros começarem a cair. Foi uma ducha de água fria, mas acreditamos que a médio prazo o sistema será um sucesso no Brasil, diz o vice-presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) do Paraná, Erlon Rotta Ribeiro.
O SFI é baseado no modelo norte-americano de financiamento imobiliário. Os contratos firmados nesse sistema terão as cláusulas econômicas negociados entre o credor e o tomador do empréstimo. Os juros serão de mercado.
O principal ponto da lei que cria o sistema é a alienação fiduciária: o mutuário só receberá a escritura do imóvel após a quitação. Em caso de inadimplência, o agente financiador pode retomar o imóvel em poucos dias. A medida torna o investimento no setor mais seguro e a previsão é que vai atrair investidores com perfil de longo prazo, como fundos de pensão e seguradoras, inclusive estrangeiros.
Os recursos para o financiamento dos mutuários serão captados por companhias securitizadoras. Elas vão operar a compra e venda dos Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) - espécie de títulos nos quais serão transformados os contratos de financiamento, e que serão colocados no mercado pelas companhias securitizadoras.
Em vez de ficar esperando 15 ou 20 anos pela quitação de um financiamento, um banco passa os CRIs de um determinado empreendimento para que sejam negociados por uma securitizadora, recebe o dinheiro e pode aplicá-lo em novos empreendimentos.
Ribeiro acredita que num primeiro momento os recursos do SFI deverão ser direcionados para imóveis comerciais e shopping centers. São empreendimentos cujos compradores apresentam perfil de maior liquidez, afirma. Na área residencial, o alvo do SFI deverá ser a classe média - famílias com renda acima de 12 salários mínimos.
Os imóveis serão financiados a juros de mercado e sem qualquer subsídio, por isso o sistema não é para população de baixa renda, ressalta Ribeiro. A previsão é que entre os maiores beneficiados estarão trabalhadores autônomos, que têm dificuldades de obter financiamentos pelo Sistema Financeiro de Habitação por não poderem comprovar renda.


