Bonitas de ver, as peças em metal – prata, bronze, ferro, estanho, etc. – têm sempre um ar de elegância e um visual que faz presença. Seu único ‘defeito’ talvez seja o fato de exigir uma manutenção trabalhosa e um cuidado todo especial. ‘‘Mas vale a pena’’, garante Paulo Verrastro, especialista no tratamento de peças em metal novas e antigas de São Paulo.
O metal sempre seduziu o ser humano pela sua força e resistência. Serviu ao homem em praticamente todos as situações da vida, compondo desde o instrumento de trabalho, utensílios, até adornos e peças puramente decorativas. A mistura do metal com a madeira, no mobiliário, por exemplo, é atávica e permanece atual até hoje nas mais variadas combinações.
Rústico e rude, o metal foi domado e ganhou formas suaves e leveza nos trabalhos e detalhamentos das peças de uso doméstico. Mas o brilho, seu maior atrativo, é fugaz. ‘‘Quem gosta tem de se submeter aos caprichos deste material. Sem o tratamento adequado ele vai ficar escuro e perder muito de sua beleza’’, avisa Verrastro.
Dá para encurtar e facilitar o caminho da manutenção, mas não eliminá-la. A solução mais recente para as peças de prata veio da Alemanha. Verrastro explica tratar-se de uma película formada por um verniz especialmente desenvolvido para a prata. Após limpa e polida, a peça recebe o produto que promete impedir a oxidação, processo químico que faz com que o metal escureça quando em contato prolongado com o ar.
O tratamento promete uma validade de mais de dez anos e pode ser usado também em outros metais como o estanho e o cobre. Sem este recurso, as peças em metal devem passar por limpeza apenas uma vez por mês para manter o brilho e a textura originais. A manutenção caseira é necessária e prorroga a validade da manutenção profissional, sempre mais cara.
O antiquário de Londrina, Milton Simões, avisa porém que nem todos os produtos disponíveis no mercado para a limpeza de metais são adequados. Todos são abrasivos e, sem o cuidado necessário, podem estragar a peça. O melhor, diz, é optar pelos menos corrosivos e usar sempre pouco produto. Depois de limpa, o ideal é lavar a peça com água e sabão. Para tirar o excesso, uma boa dica é usar uma escovinha de cerdas duras nas regiões onde há desenhos em relevo.
As peças que são banhadas a prata merecem uma atenção ainda mais especial. Passar produto de limpeza com muita frequência ou exagerar na quantidade vai desgastar o banho de prata, evidenciando o metal usado como base – normalmente o bronze. ‘‘É fácil perceber quando isto acontece porque a peça fica amarelada em vez de parecer escura’’, esclarece. Nestes casos só um novo banho resolve o problema e este trabalho só pode ser feito por profissionais.
A maioria das peças feitas em metal recebe um trabalho em pátina. É um trabalho especial que dá o efeito de ‘‘sombra’’ nos desenhos e relevos da peça. ‘‘Esta sombra valoriza a peça porque ajuda a dar profundidade, valorizando o trabalhado’’, orienta.
Segundo o antiquário, as peças em bronze e cobre dispensam o uso de qualquer produto especial e corrosivo. Uma solução é a limpeza pura e simples (um pano úmido ) seguido da aplicação de óleo de linhaça. Depois basta retirar o excesso com um pano seco. ‘‘A médio-longo prazo, todos os produtos prejudicam o material. Com o óleo de linhaça não existe este perigo. A peça vai recuperar apenas o brilho natural’’, garante.
Serviço
- Paulo Verrastro - Casa Verra (SP) - especializada em polimento de metais, fone (11) 5096-4667.
- Milton Simões - M Simões (Londrina)- antiquário, fone (43) 323-3979, 324-9818

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