Baús ganharam versatilidade e status
Célia Baroni
De Londrina
Uma senhora entra em uma loja de móveis, observa, olha, procura e, finalmente se rende. Chama a vendedora e pergunta: vocês têm baús, daqueles de madeira? Explica em seguida que está procurando um de tamanho médio para guardar o enxoval da filha que já tem 15 anos. Já começamos a comprar as peças do enxoval. Quando ela casar leva o baú com tudo dentro e ainda ganha um móvel junto, esclarece.
Você é capaz de responder em que ano ou século esta história aconteceu? Se falou qualquer data antes de julho de 99, errou. A cena é comum em lojas que vendem móveis, principalmente naquelas que oferecem réplicas de modelos antigos ou trabalham com antiguidades.
Não se tem registro de quando os baús nasceram, mas sua utilização na Europa data ainda da Idade Média. Definidos como caixas de folha ou madeira, normalmente recobertas de couro ou tecido, com tampa convexa na parte superior, eles foram criados para guardar e facilitar o transporte de todo tipo de coisas. Eram usados para guardar desde peças íntimas, roupas, porcelanas até documentos e dinheiro.
Inicialmente utilizados pela nobreza em suas viagens e mudanças (da casa de campo para a casa da cidade), os baús não demoraram a se tornar populares. Preservaram a forma retangular e quadrada, e apenas o tipo de madeira, revestimento e acabamentos é que mudaram.
Hoje os baús continuam sendo procurados para cumprir as mesmas finalidades.
Não são mais carregados nos lombos de burros, nos tetos e traseiras de carruagens. Perderam a função de transporte para as malas - que não deixam de ser uma evolução do conceito dos baús na busca de mais praticidade e eficiência.
Em contrapartida, os baús ganharam status de móvel. A decoradora Sandra Franco afirma que os baús se adequam praticamente a qualquer tipo de decoração. Enfatiza que embora sempre tenham estado em uso; a tendência atual que valoriza a busca das raízes, linhas retas, simplicidade e materiais naturais e rústicos, deu a eles ainda mais ênfase.
Em um ambiente requintado ou moderno, clean ou clássico, o baú funciona sempre como um elemento de contraste discreto, mas presente e prático, analisa. A decoradora explica que, nos quartos, eles servem como apoio para televisão. Nas salas podem ser usados como mesa lateral, de centro e, dependendo do tamanho, até como aparadores.
São coringas perfeitos para guardar os cobertores, roupas de cama, emfim, tudo que a gente só precisa de vez em quando, afirma. De quebra, dependendo do modelo, o design é o suficiente para justificar sua presença no ambiente como um objeto decorativo.
Sandra Franco acredita que, em uma análise geral, ao longo do tempo, os baús ganharam novas versões. A cara ficou diferente, mas a finalidade continua a mesma. Além do visual, mudaram principalmente o tipo de material que ficou mais leve e os formatos que ficaram mais retos, comenta.
É isto mesmo, uma das versões de baú mais usadas hoje são as caixas de guardar trecos e coisas. Começaram timidamente como caixinhas para pequenos objetos como bijuterias e jóias. Cresceram e agora conquistaram o mercado como caixas organizadoras. Na proposta o novo baú vai para dentro do armário.
Ela inclui no rol dos baús, as caixas de vime, junco ou ratan, que hoje também ganharam espaços nas casas (quartos, salas e até cozinha). A estética é outra. Grandes ou pequenos elas também são baús, alguns sem tampa, defende.Peças vão da sala ao quarto e se adequam praticamente a qualquer tipo de decoração, funcionando como elementos de discreto contraste
Josoe de CarvalhoNa salaNeste ambiente, o baú funciona como aparador. Outras opções de uso, em tamanhos menores, são como mesa lateral ou de centroJosoe de CarvalhoO novo baú: caixas organizadoras encaixadas em armáriosJosoe de CarvalhoEm alguns casos, o design é o suficiente para justificar a presença do objeto no ambiente como peça decorativoJosoe de CarvalhoTendência atual que valoriza a simplicidade dá a eles mais ênfase





