São Paulo - Os bancos privados devem retomar as linhas de financiamento à produção de imóveis comerciais no País, com recursos da caderneta de poupança, ainda neste ano. De acordo com o vice-presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Roberto Kauffmann, as instituições financeiras privadas já teriam aceitado a proposta apresentada pela entidade e demonstrado interesse em emprestar recursos aos construtores, além de financiar a aquisição de imóveis comerciais com valor de venda de até R$ 250 mil.
''A proposta é financiar ao construtor ou incorporador até 100% do custo da construção e estender a linha ao comprador, observado o limite de financiamento'', explica Kauffmann. Segundo o vice-presidente da CBIC, o objetivo é estimular a produção de escritórios e salas comerciais de médio padrão no País. Atualmente, os bancos privados operam linhas para aquisição, reforma ou construção desse tipo de imóvel, porém não contemplam construtores e incorporadores entre os potenciais tomadores do empréstimo. ''Há 20 anos isso era possível. Mas as linhas foram deixadas de lado e é preciso retomar programas de apoio à produção, que têm impacto direto nos resultados da construção e na geração de emprego'', justifica.
A proposta em negociação com os bancos faz parte de um pacote de medidas apresentado pela CBIC, com o objetivo de fomentar o mercado imobiliário no País. De acordo com Kauffmann, a adoção das medidas facilitaria a contratação de crédito imobiliário justamente em um ano em que os recursos disponíveis tanto na caderneta de poupança quanto do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) serão recordes.
''Em 2005, os bancos particulares terão quase R$ 12 bilhões disponíveis para o crédito imobiliário e o Fundo de Garantia terá outros R$ 10 bilhões'', calcula. ''Para que esses valores sejam emprestados é preciso criar condições mais adequadas.''
Além do financiamento à produção de imóveis comerciais, os bancos estariam estudando também a retomada dos programas de financiamento à construção de condomínios, com base no antigo Recon, em vigor à época do Banco Nacional da Habitação (BNH). Para essas linhas, afirma Kauffmann, seriam utilizados ou recursos da poupança ou do Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT). ''Os bancos privados devem financiar a produção imobiliária e já demonstraram interesse em voltar a aplicar também recursos do FGTS'', acrescenta Kauffmann.

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