A conclusão da Avenida Ayrton Senna (Zona Sul) nos próximos meses certamente mexerá com o comércio da Avenida Maringá (Zona Oeste) em Londrina. A expectativa é que a Avenida Maringá se transforme numa via estrutural que servirá de corredor aos carros vindos do centro e bairros com destino à Gleba Palhano e condomínios horizontais. ''Esse crescimento no tráfego estimulará os empresários da região a adequar seus produtos e serviços a esse público que, até então, utiliza basicamente a Avenida Higienópolis como trajeto mais rápido'', disse o gerente de locação da Raul Fulgêncio Negócios Imobiliários, Machado Júnior.
A modificação está prevista no Plano Diretor que está sendo revisado pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul). Segundo a gerente de trânsito Cristiane Biazzono Dutra, o projeto inclui a alteração semafórica da Avenida Maringá (implantação da onda verde); a construção de um viaduto entre a Avenida Ayrton Senna e os campus das universidades Unopar, Metropolitana e Shopping Catuaí, passando por baixo da PR-445; a ampliação das pistas de rolamento da Avenida Maringá e a alteração das calçadas.
A avenida passaria de nove metros de largura para 13 metros, duas pistas de cada lado e um canteiro central com um metro de largura. Os terrenos situados ao longo da via independente do uso destes lotes e da quantidade de unidades residenciais ou comerciais somente poderão apresentar um único rebaixo de guia para entrada de veículos com extensão máxima de cinco metros para estacionamento em 45 graus e três metros de calçada em frente aos imóveis. ''Isso aumentaria o número de vagas, garantiria a segurança dos pedestres e o alargamento das pistas'', afirma Cristiane.
Desde o ano passado, a Secretaria de Obras e Pavimentação está fiscalizando as guias rebaixadas para entrada e saída de veículos na cidade, de acordo com os parâmetros estabelecidos pelas Leis nº 281/55 e nº 3.185/80 (Código de Obras) e n.º 7.485/98 (Plano Diretor em vigor), notificando os rebaixos irregulares sob pena de multa. As novas construções e reformas em imóveis e calçadas deverão seguir o modelo proposto pelo Plano Diretor em discussão. ''Aqueles que resistirem à modernização, provavelmente, sofrerão com a concorrência oferecerá mais vantagens ao consumidor'', completou a gerente do Ippul.
Lilia Perez instalou uma loja de estofados e objetos de decoração na Avenida Maringá há quatro anos e não se arrependeu. A escolha da localização levou cerca de seis meses e considerou justamente a pujança comercial da via. ''Naquela época, havia apenas três estabelecimentos do mesmo ramo. Depois de mim, surgiram, pelo menos, oito que copiaram o estilo de vitrine e a disposição dos produtos'', lembra a empresária.
Mais antiga na região é a família de Camila Bertan. Há 30 anos, o avô dela era um dos primeiros comerciantes da avenida. Ele passou a vida vendendo tintas e hoje a família se dedica à negociação de artefatos para artes manuais. ''Ele conta que optou pelo local porque era novidade e havia muitos terrenos à disposição'', explicou Camila, que vê com bons olhos a ligação rápida com a Zona Sul.
''Além das mudanças físicas, acho que o comércio daqui deve insvestir mais em publicidade. Temos tudo o que existe no centro, com boa qualidade, preço e atendimento. Falta mesmo é a valorização'', disse Maria Estela Leite Pereira, gerente de uma loja de móveis e decoração infantil.

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