Autofinanciamento pode ser saída para as grandes
PUBLICAÇÃO
domingo, 10 de janeiro de 1999
Rita Tavares Agência Estado 
A Rossi, maior incorporadora brasileira por número de lançamentos, admite a possibilidade de voltar a oferecer planos de autofinanciamento para seus clientes nos lançamentos previstos para o início desse ano. Seria um retrocesso na estratégia de comercialização da Rossi que ofereceu apenas financiamentos bancários em 1998. Nesse momento, essa possibilidade é muito grande, disse Luís Fernando Valle, diretor comercial da empresa.
A volta do autofinanciamento é consequência da dificuldade das incorporadoras de obterem financiamento bancário. As incertezas macroeconômicas interferem nas decisões dos bancos que estão praticamente paralisados à espera de definições, como a votação do programa de ajuste fiscal.
Tradicionalmente, os dois primeiros meses do ano não são propícios a lançamentos. As incorporadoras devem começar a oferecer novos produtos entre março e abril. Se até lá o quadro não mudar, as grandes incorporadoras devem partir para o autofinanciamento, disse Valle. Se der certo, outras empresas devem seguir o exemplo.
De acordo com Valle, a volta do autofinanciamento seria ruim para as empresas, porque, além de aumentar o risco de suas operações, alongaria o prazo das obras. Quando a empresa oferece financiamento, o mutuário precisa saldar entre 36 e 48 prestações mensais até receber as chaves do imóvel. E o consumidor tem de acumular o aluguel com a prestação da casa própria durante esse tempo, ponderou. Com o financiamento bancário, o prazo cai para 18 meses.
Neste ano, a prioridade da Rossi é o lançamento de conjuntos habitacionais para consumidores de baixa renda, com a venda de apartamentos por R$ 30 mil ou ainda menos, na capital e no interior de São Paulo. A Rossi está preparando dois produtos diferentes, mas ambos com preços semelhantes e voltados para uma clientela com renda familiar mensal entre oito e 15 salários mínimos.


