Um novo tipo de bloco de concreto, que resultou em solução para o emprego, no Brasil, do inovador sistema construtivo de paredes em alvenaria com assentamento a seco.
O novo produto, em forma de um T invertido que possibilita o intertravamento depois de montado (empilhado) e garante com perfeição a resistência a esforços longitudinais, foi desenvolvido pelo engenheiro civil Junker de Assis Grassioto, de Londrina, como trabalho de dissertação de mestrado em Arquitetura e Urbanismo, realizado no final de 2000 na FAU/USP.
Criado como elemento referencial para um sistema construtivo que pudesse ser aplicado em obras de pequeno porte (até dois pavimentos) e solução inovadora para a construção de habitações populares (em razão de seu baixo custo e de atender o autoconstrutor), o sistema denominado ‘‘blocos de concreto assentados a seco’’, foi premiado com o Selo de Mérito 2001, concedido pela Associação Brasileira de Cohab’s (ABC) e entregue no final de março durante o Fórum Nacional dos Secretários de Habitação, em Campo Grande (MS).
O ex-secretário de Obras de Londrina (83/88), também pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Tecnologia de Arquitetura e Urbanismo (NUTAU/USP), doutorando em Arquitetura e Urbanismo (FAU/USP), empresário e fabricante de blocos de concreto, e diretor do Centro de Ciências Exatas e Tecnológicas da Unopar, foi o único profissional do País que, como pessoa física, ganhou o prêmio que a ABC distribui anualmente às dez melhores idéias e iniciativas brasileiras em habitação popular.
‘‘O objetivo foi desenvolver um produto com o qual fosse possível trabalhar com mais qualidade, tecnologia e disciplina, por um custo menor e que demandasse pouco tempo para execução’’, resume Junker Grassioto. Ele ressalta que, em razão da forte concorrência enfrentada com outros elementos industrializados (painéis pré-fabricados, por exemplo), há mais de 30 anos muitos pesquisadores – ‘‘incluindo brasileiros, mas em especial os norte-americanos’’ – vêm se dedicando a encontrar técnicas ou soluções para o emprego de blocos de concreto de maneira a manter sua competitividade no mercado.
‘‘E o assentamento a seco é uma dessas alternativas; uma outra corrente pesquisa a adoção e uso de colas em substituição à argamassa convencional de assentamento’’. O engenheiro diz que a busca por novas soluções de aplicação são necessárias porque, apesar de atualmente o bloco de concreto ser um produto bastante conhecido e obter avanços para sua utilização na construção civil, ainda é um produto que exige maior tempo e mão-de-obra especializada para o assentamento. ‘‘Em consequência do tempo, ocorre uma maior exposição às condições climáticas, dificultando o cumprimento dos cronogramadas de obra. E estes fatores somados acabam representando custos mais altos para sua execução’’, argumenta Junker.
O engenheiro civil que também teve seu trabalho publicado em revista especializada editada pela ABCP – Associação Brasileira de Cimento Portland, diz que este novo tipo de bloco de concreto assentado a seco se propõe a trazer ganhos específicos em duas importantes vertentes: o avanço técnico, que garante casas populares de qualidade e o uso obrigatório de projetos. ‘‘Apesar de dispensar o uso de mão-de-obra especializada na execução das paredes, é preciso que exista um projeto. E o fato de se ter que projetar para construir já é um fator altamente significativo’’.

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