As facilidades de morar no centro
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sábado, 12 de junho de 2010
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 
Todas as atenções do mercado imobiliário estiveram voltadas à Gleba Palhano (Zona Sul) nestes últimos anos, mas um nicho de consumidores em Londrina ainda prefere morar na região central. No momento, pelo menos dez empreendimentos estão em construção no centro da cidade para atender a essa demanda. Agora, as construtoras investem em amplas áreas de lazer e conceitos diferenciados para voltar a atrair o público que saiu do centro à procura de edifícios com mais opções.
Na região central, as construtoras encontram barreiras de espaço. A oferta de terrenos é muito limitada e os disponíveis são caros e de pequenas dimensões, o que impede as empresas de realizarem grandes empreendimentos. ''Estamos há seis meses procurando outra área com metragem boa de terreno, sem sucesso'', afirma o diretor da construtora Dinardi, Maurício Dinardi Filho. Em outubro do ano passado a empresa lançou um edifício na Rua Mossoró.
Os construtores estão de olho em um público que não abre mão de morar no centro. A Construtora Plaenge, por exemplo, ficou 15 anos sem lançar qualquer empreendimento na região central. ''Nesse período nos distanciamos do centro até porque os consumidores buscavam um novo local para morar. Continuamos com foco na Gleba Palhano (Zona Sul), onde temos quantidade maior de oferta (de edifícios). Mas nunca deixamos de pensar no centro'', observa Célia Catussi, gerente regional da Plaenge em Londrina.
Atendendo a pedidos de clientes, a construtora lançou recentemente dois empreendimentos na região: o Contemporâneo e a Casa Milà, este em parceria com a Vectra, e ambos já estão praticamente vendidos, de acordo com a empresa. ''A construtora tem buscado através de pesquisas o melhor momento para empreender no centro e enxergou neste o momento certo'', diz a gerente.
Falta de terrenos
Já a construtora Quadra resolveu fazer da região central sua especialidade, desde o início das atividades, há 24 anos. ''Na (Gleba) Palhano, a facilidade de se fazer uma obra é muito maior, mas a gente se especializou nisso (em construir no centro). No centro a demanda é crescente e a oferta, decrescente. A gente sabe que o que lança, vende'', afirma o diretor da construtora, Luiz Carlos Moro Pires.
Nestes anos de atividade, a construtora já entregou cerca de 30 obras na região, enquanto outras quatro estão previstas para os próximos anos. Do lançamento até a entrega, Pires estima uma valorização real na faixa de 20% a 30%, devido à baixa oferta de terrenos. ''Isso tem acontecido em todos os empreendimentos lançados no centro até hoje'', comenta.
Pela escassez de terrenos, no ano passado, a Dinardi optou por lançar um empreendimento na área mais comercial do centro, que o diretor da construtora Maurício Dinardi Filho chama de ''novo centro'' - localizado entre as avenidas Leste-Oeste e JK, no lado oposto de onde está concentrada a maioria dos prédios residenciais da região, entre as avenidas Higienópolis e JK. Na Rua Mossoró, a construtora encontrou um terreno propício para o empreendimento desejado. ''O centro comercial e os prédios estão virando uma área só e o cliente vê isso com bons olhos. O apelo é muito grande, é uma área tradicional'', avalia.
Segundo ele, 106 das 151 unidades do prédio foram vendidas em oito meses e isso se deve ''à baixa concorrência e à demanda reprimida de pessoas que querem estar no centro'', diz.


