Artistas foram os primeiros
Segundo pesquisa realizada pelo arquiteto Helio de Tilio, alguns dos espaços considerados ancestrais dos lofts atuais são os ateliês de artistas que floresceram em Paris no início do século 19 e meados do século 20, em Nova York. Devido à execução em grande escala de pinturas acadêmicas e militares, eram necessários estúdios com espaços amplos e tetos altos. Em muitos casos, era possível agregar o ambiente de trabalho à moradia.
O aspecto físico que esses espaços forneciam, além de apreciado, foi muito bem usado. As paredes largas e ininterruptas, com suas superfícies resistentes serviram para os artistas exporem muitas peças ao mesmo tempo. Também elevadores de carga, extensas escadarias e pisos indestrutíveis permitiam com que fossem transportadas ferramentas pesadas e difíceis de manejar, além de materiais e trabalhos de arte já terminados. Atores que não tinham acesso aos mais tradicionais teatros também encontraram nos lofts uma forma de desenvolver e apresentar seus trabalhos em audiências razoavelmente grandes. Hoje, os lofts podem ser definidos como espaços que, originalmente, eram ocupados por indústrias diversas e que foram transformadas em residências. O surgimento deste novo conceito pode claramente ser atribuído à área do Soho, bairro de Nova York, onde artistas ocupavam lofts desde o final de 1940. Na opinião de Helio, mais do que qualquer elemento do loft, o que chama a atenção é o espaço físico que se sobressai e dá origem a uma nova linguagem. A amplitude deste conceito nos dá a liberdade de compreender que não existe uma fórmula única que o designe. Mas sim uma fórmula pessoal com livre-arbítrio de expressar nossa personalidade. (S. L.)





