A marcenaria Carnelossi, fundada há 42 anos, é reconhecida na região de Maringá, pela qualidade artística das peças que criava artesanalmente. Hoje adaptou-se à realidade do mercado e passa a fazer móveis mais leves e arrojados. A marcenaria sempre produziu suas camas e criados em madeiras nobres, maciças, entalhadas. ‘‘Móveis que passam de geração para geração’’, define a arquiteta.
A maioria dessas ‘‘obras-de-arte’’ ainda hoje é feita pela marcenaria, sob encomenda, só que não tão acessíveis a todos os bolsos. ‘‘Muitos dos funcionários ainda são os mesmos de quando Antonio Carnelossi criou a empresa. Eles mantém o espírito do trabalho artesanal e a mão-de-obra extremamente qualificada que os torna verdadeiros artistas da madeira’’, lembra Patrícia Carnelossi, nora do fundador. ‘‘Meu sogro fazia tudo em madeira maciça - jacarandá, imbuia, cabreuva, pau-ferro, peroba, cedro, extraídas da mata nativa da própria região de Maringᒒ.
Patrícia guarda há anos, uma cabeceira entalhada especialmente para ela e compara com a nova coleção: ‘‘As dimensões de antigamente eram outras. Uma cama chegava a ter cabeceira de mais de 1,60m de largura. Hoje tem, cerca de 1,30m. A altura também diminuiu para se adaptar aos novos espaços. O acabamento, em verniz ou encerado também dá a vez aos tratamentos químicos como o de resina de poliuretano que prolonga a vida da madeira.
A evolução dessas peças não deve ser considerada uma mudança onde há perda de qualidade. Para a comerciante os valores hoje são outros. ‘‘Pode-se usar menos matéria-prima e conseguir o mesmo resultado estético através do design arrojado e funcional sem ficar mais caro por causa disso. Em vez de camas pesadas, a qualidade fica por conta da madeira, do acabamento e principalmente da personalidade, da assinatura do projeto que atende aos hábitos dos novos consumidores. ‘‘Hoje móveis tem que ser funcionais. O criado-mudo tem que abrigar tudo o que fica ao redor da cama, e ainda o abajur e a Bíblia’’, brinca Patrícia Carnelossi. (C.A.A)

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