Os empresários Ademir Figueiró e Antonio Mauro começaram a sociedade na fábrica de junco em abril. O mineiro Antonio Mauro, 35 anos, está em Londrina há dez anos e tem mais de duas décadas de experiência no ramo. Ele mesmo esteve no Maranhão para selecionar os 14 artesãos para trabalhar na fábrica em Cambé. ‘‘Eles desenvolviam no Norte um trabalho mais rústico. Aqui aperfeiçoaram e aprenderam a fazer o acabamento. Eles não têm o design, mas aprendem’’, conta. A técnica não é fácil. Segundo Antonio Mauro, ele já tentou ensinar o pessoal da região. ‘‘Mas eles não conseguem porque não detêm a técnica’’.
Os artesãos moram na própria fábrica ou em casas próximas ao local. São famílias e homens solteiros, na faixa etária dos 22 anos. Hoje, 20 pessoas trabalham na fábrica. ‘‘Os mais velhos fazem as peças em casa mesmo, enquanto fazem trabalhos domésticos’’, conta Ademir Figueiró. Um exemplo é uma família gaúcha, na qual mãe, filha e dois filhos dividem seus afazeres com as tramas em junco.
O artesão José Wilson Pascoal de Jesus, 21 anos, veio da cidade de Imperatriz, no Maranhão, e conta que no Norte existe muita competição e, por isso, o trabalho fica difícil para todo mundo. ‘‘Além da maioria das pessoas saberem a técnica, lá também tem muita opção de móveis de madeira’’, explica José Wilson, que viajou para o Paraná junto com o irmão. Os calos nas mãos do artesão confirmam a experiência e a dureza do trabalho. ‘‘Com o tempo a gente acostuma’’. (J.S.)

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