Célia Baroni
De Londrina
O que é bom é para sempre. A frase se aplica perfeitamente à arte de compor vitrais. Não há quem não fique fascinado diante da beleza destas telas montadas com vidros coloridos ou pintadas em telas de vidro. Antiga, esta arte continua atual na utilização e versatilidade. Ela se adapta a espaços internos e externos sempre somando charme a qualquer tipo de decoração através de suas composições.
Seus recursos são as cores, a luminosidade e a liberdade de temas. Estas qualidades tornam os vitrais um recurso versátil e eficiente para criar climas diferentes; alegres ou calmos; iluminados ou na penumbra. Além de bonitos, a sua manutenção é fácil, bastando evitar produtos de limpeza com ação corrosiva. A fragilidade do vidro é contornada com a colocação de um vidro simples na parte interna e um vidro branco na parte externa, quando o vitral estiver exposto ao clima.
‘‘É uma pena que, no Brasil, eles não sejam mais utilizados na decoração de residências’’, afirma o designer e artista plástico, Carlos Sato. Para o designer, os vitrais só não são mais usados porque a maioria das pessoas ainda liga a sua utilização a espaços grandes, comerciais ou religiosos. Os vitrais, esclarece, são obras de arte funcionais e versáteis. Podem ser usados em portas, divisórias, objetos, enfeitando tetos ou fazendo as vezes de quadro, desde que tenham iluminação artificial.
Sato explica que existem várias técnicas para a composição de vitrais que podem ser usadas juntas ou separadamente. Todas são artesanais. Entre as mais antigas está a que trabalha com pedaços de vidros coloridos formatados parte por parte até compor o desenho. Os pedaços são unidos com rejunte de chumbo.
Uma técnica pouco usada por exigir uma experiência artesanal muito grande é a que utiliza o forno para fundir os vidros que formam o vitral. Sato mescla várias técnicas em seus trabalhos, mas as suas preferidas são a pintura e o jato de areia. ‘‘Trabalhar com a pintura de vitrais exige estudo e experiência. O vidro e a luz interferem na tonalidade das cores e é preciso saber escolher e trabalhar com elas para conseguir o efeito desejado’’, explica.
O artista plástico Mario Vilharquide, 72 anos, é apaixonado pela arte de vitrais e conta ter sido um dos primeiros a realizar este tipo de trabalho em Londrina. ‘‘Tem trabalhos meus em igrejas, estabelecimentos comerciais e residências de toda a região sul e interior de São Paulo. Fazer vitrais é uma alegria para mim. Cada trabalho é uma criação única’’, afirma. Vilharquide trabalha unicamente com a técnica de pintura e realiza vitrais de todo o tipo em vidro e vidro orgânico.
Ele conta que com as várias crises da economia brasileira os pedidos de vitrais foram ficando escassos obrigando-o a buscar outra profissão. ‘‘Hoje eu estou voltando a fazer vitrais, mas como minha saúde é delicada tenho dado preferência a peças pequenas’’, diz. Vilharquide também lamenta que os vitrais sejam pouco usados nas residências, e atribui o desinteresse ao desconhecimento da versatilidade do vitral. ‘‘A maioria das pessoas acredita que vitral só pode ser usado em janelas’’, argumenta.
Mas não é só o desconhecimento, o motivo desta arte antiga continuar sendo pouco utilizada nas residências. Um obstáculo importante é o preço. O preço de um vitral pode variar de R$ 800 a R$ 6 mil, dependendo do artista que realiza a obra e das suas dimensões. Trabalhos pequenos custam bem menos.Vitrais podem ser usados em portas e divisórias, enfeitar tetos ou fazer as vezes de quadro, desde que tenham iluminação artificial
Josoe de CarvalhoARTESANALNessa versão moderna de vitral, a porta de correr separa com charme a sala de jantar da cozinhaJosoé de CarvalhoVitral francês antigo une técnica de rejunte com chumbo e pintura. Da M. Simões AntiguidadeJosoe de CarvalhpAqui o vitral é utilizado para proteger sem esconder a escada

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