Muros altos protegem as residências dos ladrões, certo? Errado. Segundo estudos realizados na área de arquitetura ambiental, os muros impedem a vigilância natural (possibilidade de ver e ser visto), permitindo que o assaltante se esconda no interior do imóvel. Quase sempre, os muros também são mais fáceis de transpor do que grades. Este e outros vilões da segurança foram discutidos na última quinta-feira em Londrina, durante o I Seminário sobre Acessibilidade - Responsabilidade de Todos, promovido pelo Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA) na Universidade Norte do Paraná (Unopar).
Um dos participantes foi o coronel Roberson Bondaruk, que abordou o tema ''Arquitetura Contra o Crime''. Autor do livro ''A Prevenção do Crime Através do Desenho Urbano'', que será lançado no próximo dia 17 na cidade, o policial explicou que o conceito começou a ser trabalhado há mais de quatro décadas nos Estados Unidos, mas só recentemente vem sendo adotado no País. No Paraná, a arquitetura ambiental como estratégia de prevenção tem sido divulgada pela Polícia Militar (PM) em parceria com o CREA.
''A aceitação por parte dos profissionais tem sido muito boa. Podemos dizer que hoje a segurança pública do Paraná conta com o apoio de engenheiros e arquitetos na busca por soluções preventivas mais baratas e não violentas'', afirmou. A proposta, segundo Bondaruk, é analisar o desenho urbano e tomar providências que aumentem a sensação de segurança. ''O delinquente deve ter a sensação de que está sendo constantemente observado e que poderá ser capturado a qualquer instante. Recentemente houve um assalto na Bahia em que o assaltante passou vários dias dentro da casa, protegido pelos muros'', exemplificou.
Ele citou ainda outros exemplos, que à primeira vista parecem não ter muita importância: janelas muito próximas às portas, que permitem a quebra do vidro e o acesso à fechadura; calçadas mal cuidadas, que afugentam os pedestres e dão a sensação de desleixo (pessoas menos cuidadosas tendem a ser menos alertas); entulhos e caixas de luz instaladas em muros, facilitando sua escalada; conexão de fácil acesso entre dois imóveis; árvores muito altas em frente à residência, atrapalhando a visão de quem passa na rua e pouca iluminação. O coronel afirmou que casas com estas características estão mais suscetíveis a assaltos e arrombamentos.
Por outro lado, Bondaruk citou algumas chamadas ''forças boas'', aquelas que inibem a ação dos assaltantes: boa luminosidade nas proximidades do imóvel; grades que protejam sem impedir a visibilidade; janelas voltadas para a rua; ocupação permanente dentro do imóvel; arbustos baixos e espinhosos junto aos muros e cercas, que reforçam a contenção e não projetam sobras; e calçadas limpas e livres, que permitam o trânsito frequente de pedestres. ''Em 71% dos delitos algo na estrutura de acesso facilitou a ação'', apontou.
Segundo o coronel, garantir a acessibilidade de pessoas com deficiência física também é uma questão de segurança. ''Quanto mais fria e mais segregadora, mais violenta é uma cidade.''
Para o arquiteto André Sell, que também participou do seminário, os projetos que se preocupam com a acessibilidade ainda são exceção, e mudar esta realidade é uma questão de responsabilidade profissional. ''As soluções são muito mais simples quando previstas na fase de projeto. No caso das adaptações, elas nem sempre são possíveis por problemas estruturais'', observou o arquiteto, lembrando que 14,5% da população brasileira tem algum tipo de deficiência.

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