De acordo com Lízia Manhães, um complicador é o fato das pessoas não fazerem distinção entre quem projeta e quem executa a obra. ''O arquiteto e o engenheiro são duas figuras distintas. O arquiteto até pode executar a obra também, mas aquele que projetou o empreendimento não é sempre o mesmo que constrói. E amarrado aos dois há, ainda, a figura do incorporador'', explica.
''O arquiteto não pode planejar, por exemplo, uso de azulejo de parede para o chão, porque não vai resistir. Também não dá para fazer uma obra com parede de dry wall, que é superleve, com lajes de estrutura normal, que é pesada. São técnicas que não se agregam'', diz Lízia. Ela lembra, ainda, que ao contrário do que a maioria acredita, o arquiteto não tem obrigação de acompanhar a obra, cabendo ao engenheiro essa função. Mas, caso o arquiteto seja remunerado para acompanhar todo o processo, automaticamente passará a ser responsável pela obra.
''Quando desenvolvo um projeto para um construtor, por exemplo, ele é meu consumidor mas, ao mesmo tempo, ele vai vender a loja que eu projetei para terceiros. Eu e o construtor somos co-responsáveis diante desse terceiro em relação a uma série de coisas. Paralelamente, caso eu tenha feito um projeto com vícios e ele construiu, ele pode me processar e o nosso cliente pode processar a ambos. Quando houver clareza disso, o construtor também vai se acautelar melhor em relação ao arquiteto que ele vai escolher como uma garantia de trabalho diante do seu consumidor'', explica Königsberger.
(M.G.)

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