Arquiteto da ONU defende urbanização de favelas
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sábado, 19 de abril de 2003
Agência Estado 
São Paulo - Melhorar moradias precárias é mais eficiente e barato do que construir novas unidades. Para o arquiteto Pietro Garau, professor da Universidade de Roma e um dos coordenadores da força-tarefa da Organização das Nações Unidas (ONU) de urbanização de favelas, isso permite maior integração entre a comunidade e melhor aproveitamento de recursos públicos.
O arquiteto italiano participou recentemente em São Paulo do seminário Força-Tarefa Mundial de Urbanização de Favelas, no qual ouviu autoridades municipais e federais. Ele elogiou programas habitacionais da maior cidade do País, assim como a solidariedade dos paulistanos que vivem em favelas. ''Heliópolis tem um clima de alegria diferente de outros lugares.''
A escolha de São Paulo para a reunião da força-tarefa não foi por acaso. Segundo Garau, o Brasil talvez seja o país que mais apresentou progressos na área e São Paulo é uma das cidades que despontam na criação de políticas que fazem diferença na vida das pessoas. ''Se tivéssemos cem cidades de São Paulo, seria mais fácil para a força-tarefa atingir seu objetivo'', compara.
Garau diz que o que mais chamou dele em Heliópolis foi o contraste entre o Cingapura e o restante da ocupação. ''Se compararmos os prédios e as casas que tiveram melhorias, a urbanização é muito melhor. É mais barato e ajuda a manter o espírito de coletividade. Li esses dias que o Plano de Habitação de São Paulo estima serem necessários R$ 4,5 bilhões para atender 286 mil famílias em favelas. Construir novas habitações seria três vezes mais caro. Em alguns casos, você terá de construir, mas a princípio se deveria pensar primeiro em urbanização'', opina.
O arquiteto também ressaltou o fato de existir em São Paulo uma variedade grande de programas e estratégia para as ações. ''Um que me pareceu muito interessante foi o Pró-Centro. Os mutirões também me agradaram e permitem melhorias significativas com recursos limitados'', citou.
A força-tarefa da ONU, uma das dez criadas pela Declaração do Milênio em setembro de 2000, tem por objetivo melhorar as condições de vida de 100 milhões de favelados até 2020. Em todo o mundo, estima-se que cerca de 1 bilhão de pessoas vivam em moradias inadequadas.


