Roupas muito compridas, peças volumosas, casacos largos, camisas sociais, roupas de noite, sapatos altos, roupas íntimas, calças..... E o armário que era maravilhoso e amplo na loja ou quando recém-montado pelo marceneiro parece estar encolhendo. Ter armários mas não ter lugar para guardar as roupas. Quem já não passou ou passa por isso? Por que isso acontece?
A resposta é simples. Os armários padrão já não respondem mais às necessidades da vida atual. Suas divisões internas foram calculadas e moldadas para uma época em que o número e variedade de roupas e acessórios eram bem menor. Mas como os hábitos são difíceis de mudar, as fábricas de móveis ditos populares e até algumas com linhas com um padrão melhor, continuam produzindo esses móveis.
Ainda são poucas as empresas que oferecem armários com a parte interna personalizada ou com várias opções. Mas a responsabilidade não é só de quem fabrica. A maioria das pessoas ainda escolhe o armários pelo lado de fora. Pesam na decisão o material usado, a textura e o desenho externo. O aproveitamento interior passa, no máximo, por uma vistoria rápida.
Já dizia Vinícius de Morais que ‘‘beleza é fundamental’’. Ele estava certo, mas deveria ter acrescentado uma outra qualidade: o conteúdo. Antigamente não existia nem tecnologia nem ferragens para melhorar o aproveitamento dos espaços internos dos armários. Mesmo hoje, o custo de um armário bem projetado ainda é ‘salgado’ mas, podendo, vale o esforço.
Convencida? Então arregace as mangas e antes de procurar um profissional faça uma lista do que gostaria de guardar no armário do seu quarto. Seja minuciosa; a parte interna de um armário é como um vestido de alta costura: todos os detalhes são importantes.
Anote tudo, desde o tipo de roupas que mais gosta de usar até as variedades de acessórios que costuma acumular. Sabe aquela paixão por brincos? Anote para prever um espaço especial para eles.
Se o armário vai ser dividido com o marido, as necessidades dele têm de ser pontuadas da mesma forma. Nesta hora não vale a máxima dos direitos iguais. Homens e mulheres têm demandas diferentes e precisam de armários com divisões próprias para as suas necessidades.
No armário feminino é indispensável prever espaço para roupas longas e vestidos. Camisas e saias cabem no espaço padrão. Antigamente era consenso guardar as roupas em gavetas, mas hoje as gavetas são menos usadas. Elas são reservadas para as roupas íntimas e peças pequenas ou de cor claras e delicadas merecedoras de uma proteção especial.
A resistência e particularidades dos tecidos atuais permitem que a maioria das roupas possam ser dobradas e guardadas em prateleiras. Elas são menos profundas que as gavetas e ocupam menos espaço, permitindo um aproveitamento melhor. Além de deixar as peças à vista, elas facilitam o ‘tira e põe’ . Logo: abuse das prateleiras.
Ficar entrando no armário, espiando para ver se encontra aquela peça também está fora de cogitação. Hoje existem ferragens que trazem tudo que está dentro do armário para fora. E o melhor: sem desabar em cima da gente. Blusas, camisetas, saias, shorts e outros ficam bem acomodados em prateleiras.
As peças pequenas como jóias e bijuterias podem ser guardadas em caixas pequenas e coloridas. Na hora de escolher a que vai usar é só retirar a caixa de dentro o armário para ter todas à vista. Além de facilitar a vida elas decoram o armário.
Um espaço para cintos, echarpes e xales também deve ser previsto. Pendurados nas portas internas do armário eles ocupam um espaço que ficaria naturalmente ocioso. Mas use as ferragens certas para cada peça.
Para as bolsas, guarde nichos onde caibam no máximo três unidades, para evitar que elas fiquem muito amassadas e se desgastem mais rapidamente. O ideal é fazer pequenos sacos de tecido para cada uma.
Armário com maleiro nos quartos não é a melhor opção. Tendo espaço para um roupeiro na área de serviço ou corredor, prefira estes espaços para as roupas de cama e malas.
No quarto, o ideal é aproveitar o espaço do maleiro para peças que são menos utilizadas mas precisam ficar sempre prontas. Um exemplo são os ternos e blazers masculinos e femininos. Usar este espaço só se tornou possível por causa da invenção do cabideiro articulado. Prático, ele permite que o cabideiro inteiro seja abaixado e as peças fiquem ao alcance das mãos quando necessário.
Guardar sapatos dentro de armários não é uma boa solução, embora algumas vezes seja inevitável. Nestes casos prefira sempre as prateleiras móveis. Elas são mais arejadas, minimizando o eventual odor do sapato de uso frequente.
As prateleiras giratórias têm sempre uma capacidade maior do que as planas. As sapateiras sobre barras só devem ser escolhidas quando houver sobra de espaço vertical. Em qualquer dos casos escolha sempre um lugar longe das roupas, de preferência próximo às bolsas.
Um bom jeito de resolver a demanda por um espelho no quarto é colocá-lo sobre rodízios, encaixado na lateral do móvel. Há ainda o sistema tradicional, na parte interior da porta do armário. Não seja preconceituosa; iluminação dentro do armário não é luxo: é conforto. Na hora de escolher a roupa ou procurar um objeto a sombra causa dificuldades visuais. Prefira a iluminação indireta e lâmpadas do tipo halógena ou dicróica para melhor definição de cores.
Consultoria - Leosina Silva Libório (Ma Maison/Londrina)

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