Como a palavra de ordem é economizar energia, o aquecimento solar entra definitivamente na pauta das avaliações construtivas como importante ferramenta para o uso eficiente e racional da energia elétrica – principalmente no aquecimento da água do chuveiro, o grande democratizador no uso da água quente, e instalado em 27 milhões de residências brasileiras, mas também um dos grandes vilões do consumo doméstico de energia elétrica.
Equipamento que pode contribuir com uma redução de até 37% na conta de luz de uma residência, o aquecedor solar também está com taxa elevada de crescimento de produção industrial no Brasil, e superior à média de outros setores da economia: 35%.
Ainda sem uma pesquisa definitiva sobre o volume de comercialização do produto no mercado consumidor, o comércio estima percentual equivalente para o crescimento das vendas em todo o país depois do anúncio dos planos de racionalização de energia do governo federal, cujas medidas serão aprovadas pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE), no próximo dia 23.
Alternativa de aquecimento até então adotada por consumidores com maior poder aquisitivo, e de compra, na hora de construir ou reformar, a tecnologia que fornece uma energia limpa e ecologicamente correta por não emitir poluentes pode ganhar volume de usuários também junto às classes média baixa e baixa da população brasileira. O impulso vem das inúmeras pesquisas realizadas por instituições brasileiras de ensino e de desenvolvimento em novas tecnologias e da própria indústria nacional, que buscam criar equipamentos cada vez mais populares, e com custo mais acessível ao bolso do consumidor, para manter dentro da racionalidade o consumo de energia elétrica no País.
Além disso, a Caixa Econômica Federal está estimulando o uso de aquecedores naturais nos empreendimentos de habitação popular. A medida foi aprovada após instalação de um projeto-piloto para a avaliação do aquecimento solar como substituto do chuveiro elétrico em 100 casas de conjunto construído em regime de mutirão pela prefeitura de Contagem, em Minas Gerais. Resultado: economia de 20% no consumo de energia elétrica e 30% menos no valor da conta de luz. O custo unitário de implantação do equipamento, com vida útil estimada entre 15 e 20 anos, ficou em aproximadamente R$ 550,00 – R$ 4,00 a mais na prestação mensal.
A partir de agora, os engenheiros responsáveis pela análise dos projetos de unidades habitacionais a serem financiadas pelo banco estão autorizados a aprovar propostas nas quais esteja previsto esse tipo de equipamento. A decisão se estende a todas as obras acompanhadas pela Caixa, inclusive aquelas que contam com recursos do Orçamento Geral da União.
E para garantir as facilidades do acesso ao equipamento a quem já tem casa, também a liberação de recursos através da carteira de crédito já disponibilizada pelo banco para a compra do material de construção no varejo. ‘‘Com o cartão Construcard (aceito em lojas e depósitos conveniados em todo o País) é possível comprar também um aquecedor solar em até 24 pagamentos, com juros mensais de 1,9% ao mês mais a variação da TR’’, exemplifica o gerente de mercado da superintendência da CEF Londrina, José Roberto Matheus.
Segundo o gerente, os critérios para a obtenção do Construcard, que funciona como um cartão de crédito, pois tem um limite de valor pré-fixado para o uso rotativo, é estabelecido de acordo com a renda e a capacidade de pagamento do solicitante, que também não pode ter nenhuma restrição cadastral.
‘‘O objetivo é incentivar o uso de aquecedores naturais também nas pequenas construções, pois elas representam uma economia imediata para o consumidor, que passa a ter significativa redução de custo na conta mensal de luz, e um consumo mais racional da energia elétrica em todo o País’’, pondera Matheus.

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