Curitiba - Comprar um apartamento de um quarto nas grandes cidades pode não ser uma tarefa fácil. A oferta de imóveis menores não cresceu no mesmo ritmo da procura, que tem aumentado, a cada ano, por conta de mudanças comportamentais e na estrutura das famílias. Levantamento do Sindicato da Indústria da Construção Civil no Paraná (Sinduscon-PR) mostra que os lançamentos de unidades de um quarto, em Curitiba, nos últimos dois anos, cresceu 67,7% na comparação com os dois anos anteriores. Em 2007 e 2008, foram lançadas 815 unidades, enquanto, em 2005 e 2006, foram 486 unidades.
  ‘‘As construtoras estão atentas a isso (ao aumento na procura por apartamentos pequenos), mas não têm conseguido acompanhar a demanda’’, justificou o consultor de mercado do Sinduscon-PR, Marcos Kahtalian. Não existem, no entanto, dados estatísticos sobre o aumento na procura por esse tipo de imóvel. O que se sabe é que o número de brasileiros que moram sozinhos quase dobrou em dez anos: passou de 3,6 milhões para 6,7 milhões, segundo pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Essa, talvez, possa ser a melhor explicação para o crescimento na busca por imóveis de um quarto.
  De acordo com Kahtalian, investir nesse tipo de empreendimento não é simples, pois um imóvel de um quarto tem um público específico – em geral, estudantes, aposentados –, que querem morar em regiões mais centrais e com boa oferta de serviços como transporte e comércio. ‘‘A oferta de áreas em locais estratégicos é menor e, muitas vezes, exige demolições, o que acaba encarecendo o empreendimento’’, esclareceu o consultor. O interesse das construtoras em empreendimentos maiores, segundo ele, também se justifica pelo fato do preço final de venda de um imóvel de três quartos, por exemplo, ser maior.
  Uma empresa, em Curitiba, decidiu se especializar no segmento ‘single’. De acordo com o diretor de Incorporações da Invespark Administração e Participações, Eduardo Garcia Quiza, há uma carência de imóveis para atender esse público. ‘‘São poucos lançamentos para uma população crescente. Devem ter tido apenas seis empreendimentos nessa década’’, apontou.
  A Invespark lançou quatro empreendimentos com apartamentos de um quarto, somando 850 unidades (não contabilizadas, integralmente, no levantamento do Sinduscon-PR). Dois deles, ficarão prontos entre este ano e 2010 e, em média, estão com 85% das unidades vendidas. Segundo Quiza, a maioria dos compradores – cerca de 70% – é pequeno e médio investidor.
  Para o arquiteto Frederico Carstens, sócio-proprietário da Realiza Arquitetura, há uma outra razão para o aumento na procura por imóveis menores e mais baratos: a falta de poder aquisitivo e de crédito. ‘‘Hoje, quem tem empreendimentos com maior área privativa está com dificuldade de vender’’, avaliou. Mas, ele não acredita que o setor da construção irá se direcionar para o padrão de um quarto. Para Carstens, nem seria prudente. ‘‘A fase atual (por causa da instabilidade na economia) é de ajuste. Ninguém sabe direito o que fazer para quem’’, ponderou.
  Outro problema, opinou Carstens, é que quando se colocam muitos produtos similares ao mesmo tempo, como a onda dos ‘‘clubes de morar’’, faltam compradores. O arquiteto aponta a necessidade do setor ‘‘começar a ter inteligência’’ na hora de projetar seu empreendimento, agregando funções diferentes ao imóvel. Um exemplo, citou ele, é um lançamento feito em São Paulo, em que o segundo quarto do apartamento pode ser usado como escritório. A circulação vertical é separada: o acesso comercial é isolado do residencial.

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