O Moinho Paranaense, uma sólida construção erguida na década de 30 por empresários ingleses no Bairro Rebouças, em Curitiba, para beneficiamento de trigo abriga desde quinta-feira passada, a 10 edição da Casa Cor Paraná. O prédio tem um abrigo anti-aéreo construído às vésperas da Segunda Guerra. Em 4,3 mil metros quadrados de área foram montados 10 lofts, áreas de uso comum e serviços para os moradores, totalizando 48 ambientes, que poderão ser visitados até 22 de junho.
Nessa edição, Casa Cor Paraná é parceira da prefeitura de Curitiba na implantação do Projeto Novo Rebouças, que busca valorizar antigas construções e revitalizar áreas periféricas e bairros industriais com atividades comerciais, de lazer e moradia, a exemplo dos grandes centros europeus.
Com a parceria da Fundação Cultural de Curitiba, o evento dá a largada para a transformação do antigo moinho em um dos mais modernos centros culturais do País. Além de manter toda a estrutura do prédio e a pintura da fachada original, o evento vai possibilitar a criação e a construção de novas vias de acesso para uso futuro.
Em São Paulo, a Casa Cor será aberta no próximo dia 27 nas instalações do antigo Hospital Matarazzo, prédio tombado pelo patrimônio histórico. As empresas e os profissionais do setor da construção civil, que começaram o ano de 2003 com forte expectativa favorável em relação ao novo governo brasileiro e à retomada da atividade econômica, contam com a realização da mostra como um dos eventos capazes de incentivar o consumo nos segmentos de arquitetura e engenharia, e, desse modo, ''fazer a roda girar'' para gerar maior movimento de negócios. Em 2003, participam do evento mais de 140 profissionais (arquitetos, decoradores e paisagistas), responsáveis pela exibição de 110 ambientes.
De acordo com o engenheiro Bruno Korn, proprietário da Think Engenharia e responsável este ano pelas obras de um dos ambientes da Casa Cor SP, a expectativa de melhora no cenário econômico é grande e ele acredita que o setor reúne todas as condições para ser um dos mais estimulados pelo governo. Afinal, a cadeia produtiva da construção civil representa recursos da ordem de 13% a 14% da formação do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, segundo dados da Fundação Getúlio Vargas, e tem elevada capacidade de geração de empregos de forma bastante rápida.
A Casa Cor, diz o engenheiro, representa sempre um desafio, principalmente quando se trabalha num projeto de dimensões maiores e com a exigência de cuidados especiais no restauro e nas obras de engenharia estrutural. Até porque todas as edificações do antigo Hospital Matarazzo, que ocupam uma área total de 9.870 metros quadrados, são tombadas pelo Condephaat.
Em contrapartida, diz ele, o evento garante a convivência direta com diversos profissionais dessa cadeia de atividades - engenheiros, arquitetos, decoradores, paisagistas e fornecedores - e o acesso às novas tecnologias aplicadas às obras, o que é fundamental para a reciclagem de idéias e para a atualização profissional.

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