Antes de comprar, conheça o terreno
PUBLICAÇÃO
domingo, 13 de fevereiro de 2005
Erika Zanon<br>Reportagem Local 
O primeiro passo antes de começar a construir é a escolha do terreno. Parece uma tarefa simples, mas é muito mais difícil do que se imagina, pois não se resume apenas à compra de um lote. Alguns cuidados são fundamentais no momento da aquisição do lugar onde se pretende construir qualquer imóvel. O ideal é contar com a ajuda de um arquiteto ou engenheiro para que seja realizado o que tecnicamente os profissionais chamam de estudo de viabilidade de terreno, que se trata de um relatório detalhado da área.
Informações como localidade, topografia, disponibilidade de infra-estrutura, valorização atual e futura, e principalmente as regras de zoneamento do município não podem faltar na avaliação do local. ''Antes do cliente comprar o terreno a gente conversa e eu atento para o que ele deseja construir'', frisa a arquiteta Vilma Okano. Ela afirma que em função dessa troca de informação torna-se possível determinar qual seria o lote ideal para o cliente ou ainda o que pode ser feito no caso dele já possuir um terreno.
O engenheiro civil e perito judicial nomeado Paulo Adeildo Lopes comenta que a análise de um profissional pode evitar a compra de um terreno que não servirá para aquilo que a pessoa gostaria de construir. Ele apontou que a Lei do Uso e Ocupação, junto com o Código de Obras e Postura do Município devem ser um dos pontos mais observados. ''A Lei de Zoneamento determina muitos fatores e indica o que pode ser construído em cada área da cidade'', reforçou Lopes. Em determinadas localidades do município, exemplificou o engenheiro, só podem ser edificadas residências, em outras apenas edifícios ou indústrias, e existem os setores destinados aos imóveis comerciais e ainda as regiões mistas.
Outros itens que precisam ser levantados durante a perícia é o Coeficiente de Aproveitamento e a Taxa de Ocupação do terreno. O primeiro indica o quanto pode ser construído além da área da planta - como edifícios -, mas é preciso observar o limite de altura. Já o segundo, aponta o quanto da área em planta pode ocupar o terreno. ''Geralmente em Londrina pode ser construído até 65% da área do terreno'', avisa Lopes.
As regras físicas e naturais do lote também devem ser levadas em consideração na hora da compra, conforme informa o perito. Neste caso, a topografia se destaca como fator principal: lugares muito inclinados ou de diferentes níveis, por exemplo, passam por cortes ou precisam ser aterrados. ''Qualquer mudança no terreno que acabou de ser comprado só encarece a obra'', observa Lopes. Segundo ele, terrenos abaixo do nível da rua também não são aconselháveis pois dificultam a saída para o esgosto.
Também necessita de avaliação, a estrutura de equipamentos comunitários da região como transporte urbano, escolas, supermercados, farmácias. ''Bairro que não tem escola já não é muito bom para quem tem filhos e é de classe social baixa'', exemplificou o engenheiro. Fatores como os citados, de acordo com Lopes, valorizam o lugar. Infra-estrutra como água tratada, pavimentação e energia elétrica (iluminação pública) também são fundamentais.
O perito ainda aconselha que, na hora de escolher um lote, áreas com risco de enchente ou de deslizamento de terra sejam evitadas. ''Lugares de encosta com inclinação de terreno, por exemplo, são bastante suscetíveis a deslizamentos'', acrescenta Lopes.


