Contrapondo ao estilo clean futurista de vanguarda para pessoas práticas e sem tempo, uma outra tendência na decoração dos anos 90, nos últimos cinco anos houve uma retomada de tudo o que é natural, mas só que desta vez com elementos ecologicamente corretos. As peças de origens étnicas podem ser móveis feitos em fibras naturais como junco, ratan, málaca e cipó. Os tapetes aparecem feitos em tear manual em puro algodão e em sisal. Nesta linha estão os rústicos, a arte nativa africana, utensílios indígenas como as cestarias e cerâmicas da Amazônia.
O natural, o rústico e o oriental rústico estão em moda: ecologicamente corretosPara espaços maiores, estes objetos criam ambientes informais, descontraídos para pessoas que gostam de conforto com toques de inteligência. E por que não um certo romantismo preservacionista? Muitos elementos desses projetos têm vindo da África, Indonésia, Índia e Tailândia dando um toque selvagem representado por fakes de peles de animais, e instrumentos e máscaras tribais.
Segundo a decoradora Heloísa Vecchi o estilo oriental tem sido muito requisitado nestes últimos anos. Só que menos colorido, preferindo tons básicos e cores mais apagadas. ‘‘Os mais vistos são os de inspiração japonesa onde existe uma ausência de mobiliário, de cor e além de minimalista chega a ser como a de um monastério.’’
A decoradora esteve recentemente na Casa FOA em Buenos Aires (uma espécie de Casa Cor) onde viu uma tendência que poderá estar no Brasil dentro de alguns anos: ‘‘Quase todos os 50 projetos apresentaram ambientes simples, minimalistas onde o que determina o ar dramático é a iluminação usada de forma absolutamente inteligente, e também a altíssima qualidade dos elementos usados na decoração. Um tatame no lugar de uma cama de casal com lençóis de linho egípcio em cores básicas, quadros abstratos em tons de bege, quase monocromáticos. Tapetes de tear manual, e mantas artesanais em pura lã natural de algodão em cru ou cinza, e compondo o ambiente botas de couro italiano de grife elegante, metais cromados, criado-mudo em rádica de linhas retas, sempre priorizando a qualidade dos produtos utilizados’’, descreve Heloísa Vecchi.
Nem este arsenal de novas influências que estarão visitando os lares dos grandes centros, chega a ameaçar o estilo clássico que ainda é o preferido por revistas de decoração em todo o mundo. Os móveis em estilo inglês em rádica, discretos, sóbrios e funcionais; as cadeiras em estilo Luis Felipe, poltronas Luiz XV, sofás de seda com franja, lustres grandes, tapetes orientais, quadros a óleo com motivos florais, cartas e mapas de navegação, continuarão a compor os ambientes dos discretos de bom gosto e que gostam de investir em peças tradicionais autênticas.
ReproduçãoMix de estilos: no ambiente, móveis de época se unem a outros contemporâneosHeloísa Vecchi ressalta que um ponto importante em qualquer projeto. ‘‘Hoje a alma da decoração é a iluminação feita com luz dicróica, muita luz indireta e os lustres pesados cedendo lugar às luminárias’’. Segundo o arquiteto José Ângelo Casagrande Mincache a iluminação contemporânea valoriza e destaca as peças de design e objetos de arte. ‘‘Hoje existem spots que conseguem dirigir a iluminação pontualmente sem interferir na luz ambiente’’
Atendendo aos hábitos e especialmente aos bolsos do homem moderno surgem outras duas tendências. A primeira, resgata e recicla peças dos anos 50 e 60. Peças que, combinadas com peças de desenho atual, acabam convivendo em harmonia no mesmo ambiente contemporâneo, como geladeiras antigas pintadas de verde, vermelho sustendo os bons e velhos pinguins de louça, lírios e copos de leite, mesinhas e sofás com pés-palito, como nos anos 60.
A outra tendência é a de se fazer um mix de desenhos de vários estilos. ‘‘Pode-se utilizar peças art-déco ou até mesmo clássicas dentro de um ambiente basicamente contemporâneo em suas linhas’’, diz Mincache. só que o arquiteto alerta para possíveis mix de conceitos: ‘‘Quando a gente fala estilo clássico não devemos confundir peças de linhas clássicas autênticas ou inspiradas da Grécia antiga ou do neo-clássico do século passado, com objetos e mobiliário modernos que se tornaram clássicos durante este século. Exemplo disso são cadeiras do Le Corbusier ou de Mies Van Der Rohe, que pela sua importância são uma unanimidade que pode ser utilizada em qualquer ambiente’’.

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