Ano político altera desempenho imobiliário
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sábado, 16 de setembro de 2006
Betânia Rodrigues<br> Reportagem Local 
®MDNM¯ O progresso de um País e o consequente bem-estar da população está intimamente relacionado à política. A possibilidade de abalo neste alicerce é motivo de insegurança geral e atenção no mercado de investimentos.
Em 2002, durante as eleições majoritárias no Brasil, o setor imobiliário lucrou como nunca. ''Casas, apartamentos, terrenos e propriedades rurais foram negociadas facilmente. A iminente chegada do Partido dos Trabalhadores (PT) ao Palácio do Planalto estimulou a retirada do dinheiro aplicado nos bancos devido o medo do confisco. As consequências políticas e econômicas desta novidade era mistério até para os analistas da área'', lembra o imobiliarista londrinense Augusto Takeshi Ida.
Ao contrário de hoje, o agronegócio usufruia da prosperidade que os recordes de exportação ofereciam. Naquela época, a soja era o produto mais valorizado na balança comercial e, comparada às recentes comercializações, custava quase o dobro. Para tristeza dos produtores rurais, a relação na compra e venda da terra é a mesma, ou seja, mil sacas de 60 quilos equivalem a um alqueire.
A excessiva oferta do grão no mercado externo, aliado à baixa cotação do dólar e a estiagem que assola o Brasil nos últimos três anos desestimulou - principalmente - os negócios com propriedades rurais. Mas, até os imóveis urbanos foram prejudicados nos Estados dependentes da agricultura como é o caso do Paraná.
Segundo o imobiliarista Vitor Custódio, isto é comprovado pela queda no preço dos aluguéis residenciais e comerciais. ''O dinheiro do campo sempre favorecerá o comércio, a indústria e a prestação de serviço em qualquer região do Brasil. Os recursos financeiros obtidos pelo proprietário e trabalhador rural quitam dívidas, adquirem produtos e mão-de-obra especializada. Em outras palavras, aquecem vários setores da economia em diversos municípios. Consequentemente, quando a agricultura sofre, mais cedo ou mais tarde, os reflexos incidirão na cidade'', afirmou Custódio, que há 37 anos trabalha no ramo.
Este ano, o quadro é muito diferente em virtude da estabilidade econômica e crise agrícola. Célia Catussi, gerente regional da construtora Plaenge, recorda que, em 2002, a quantidade de imóveis negociados à vista foi maior em relação aos últimos meses, os parcelamentos eram de curto prazo e o número de pequenas construções particulares que - rapidamente - saíram dos alicerces também foi superior comparado ao mesmo período de 2006. ''O receio do governo petista desapareceu após quatro anos de mandato.''
Conjuntura Independentemente do partido que ocupará a presidência da República, as pessoas acreditam que a inflação continuará baixa e as repercussões econômicas serão mínimas''. Na opinião de Luiz Carlos Moro Pires, diretor da Quadra Construtora, o maior problema financeiro vivido na região de Londrina é a queda do poder aquisitivo nos últimos cinco anos.
Para ele, isso é resultado da falta de investimentos públicos e privados, da pesada carga tributária, elevado nível de desemprego e, consequente, queda na renda mensal. ''O metro quadrado construído de Londrina chegou a custar mais que Curitiba e Maringá. Hoje em dia, somos obrigados a reduzir a margem de lucro para continuar vendendo porque o dinheiro sumiu de circulação''.
A rentabilidade do aluguel é outro desestimulante no investimento em imóveis. Qualquer aplicação bancária está rendendo mais que 0,5% ao mês obtido pelos locatários. Até a caderneta de poupança, considerada a mais simples e menos arriscada, tornou-se interessante porque oferece entre 0,7% e 0,8% de renda líquida ao cidadão.
''O crescimento econômico seria a melhor solução para o problema. No entanto, isso depende da redução dos juros, da taxa compulsória cobrada dos bancos, da queda na carga tributária e mudanças na política habitacional'', sugeriu o economista e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Renato Pianowiski.


