A arquiteta e designer de interiores Katalin Stammer está às voltas com a mudança de comportamento dos consumidores. Segundo ela, as transformações geradas pela tecnologia digital e o acesso a dispositivos móveis geraram uma nova forma de consumo que tem influenciado, também, na maneira de pensar a própria casa.

A arquiteta, que é supervisora dos cursos de Design de Interiores, Decoração de Ambientes e Design de Jardins do Centro Europeu de Curitiba, afirma que seu interesse pelo tema surgiu após uma visita a uma indústria de papel para MDF, onde foi apresentada uma pesquisa com adolescentes na qual havia sido identificada a "não necessidade" de tantos produtos em casa. Atitude que fez surgir o conceito de desmaterialização do espaço, defendido por Katalin.

Em sua avaliação, duas coisas influenciam diretamente nesse novo comportamento. "Primeiro, pelo nosso universo ser hoje muito digital; outra questão é a não necessidade de ter tantos objetos, não preciso ter um rádio relógio, uma máquina fotográfica, um rádio, centralizo tudo no smartphone", explica. Transportando isso para dentro da casa, devem ser cada vez mais comuns em projetos de decoração televisões que aceitam os mesmos smartphones como geradores de conteúdo, eliminando fios e teclas.

Mesmo a geração que tem por volta de 40 anos hoje flerta com essas novas atitudes, embora ainda conserve apegos, como a móveis de família. Já os adolescentes, consumidores nos próximos anos, devem acentuar a linha do "menos é mais" dentro de casa, o que não significa que vão consumir com menos qualidade. São pontos que têm sido estudados em busca do perfil desse novo usuário e têm muito a ver com o minimalismo.

"O minimalismo traz muito dessa limpeza visual, faz parte desse conceito que as pessoas estão buscando hoje. Ele vem a calhar com uma tendência de comportamento, de você ter menos e de maior qualidade. Antes ele era associado à pureza do material, e não tanto à praticidade, como hoje", explica Katalin.

Esse novo comportamento de consumir menos e melhor deve abrir espaço para produtos de maior qualidade e com conceitos sustentáveis embutidos, especialmente nos dias de hoje, em que as habitações estão cada vez menores – de acordo com Katalin, da década de 1990 para cá houve diminuição entre 30% e 40% na área dos apartamentos.

"Tem que estudar muito as opções para poder atender a expectativa do cliente quanto ao pós-obra. A geração de 40 anos não quer trabalho, quer conforto, lazer. Ao que tudo indica, o conceito deve evoluir, porque as necessidades das pessoas estão se voltando mais para o convívio, não para o consumo imediato", diz ela.

SUSTENTABILIDADE

Segundo Katalin, toda essa mudança tem resultado em consumidores mais exigentes quanto à sustentabilidade dos projetos, o que exige adaptação dos profissionais. "Quando você começa a intervenção com o cliente já pensa em como ele vai fazer o descarte daquele móvel que não vai usar mais", afirma.

Na escolha de peças mais definitivas, como pisos, o critério é ainda mais rigoroso, a fim de evitar modismos e uma necessidade precoce de troca. Em relação ao mobiliário, algumas mudanças pontuais podem renovar o ambiente sem implicar em gastos exagerados ou excesso de descartes.

"Temos comentado muito sobre mudanças de frente de gaveta, de portas. A cozinha, por exemplo, pode ter vida útil de 25, 30 anos, dependendo da qualidade do material", diz Katalin. Independentemente da escolha do cliente, uma coisa é certa: daqui a 20 anos, os consumidores terão que lidar com menos objetos, menos fios e menos teclas - fora e dentro de casa.

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