Ambientes bem projetados que cabem no bolso
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domingo, 13 de dezembro de 2015
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Uma casa bem planejada, com espaços otimizados e melhor custo-benefício, está deixando de ser apenas a realidade de projetos de alto padrão. De acordo com a arquiteta Bianca Nunes, de Londrina, há quase dois anos ela vem percebendo um aumento em torno de 30% dos clientes que procuram o seu serviço para investir em casas de padrão mais popular, abaixo de 100 metros quadrados. "Pesquisas apontam que cerca de 50% da população brasileira optam pela autoconstrução, sem recorrer à orientação técnica adequada, mas é interessante perceber esse aumento na procura pelos serviços de arquitetura por esse nicho", comenta. "Devido à instabilidade econômica do País, as pessoas com maior poder aquisitivo estão mais cautelosas neste momento em investir em construção, já as classes mais simples querem sair do aluguel, que acaba se equiparando com o valor de um financiamento", acrescenta. Em média, o custo para a elaboração de projetos arquitetônicos para casas mais simples fica entre R$ 15 e R$ 20 o metro quadrado (sem contar as taxas inerentes à construção do imóvel).
E seja em versão residencial ou comercial, é visível a diferença do resultado final quando o projeto contou com a orientação de um engenheiro e de um arquiteto. "O ideal é que os dois profissionais dialoguem desde o início do projeto para um resultado harmônico, compatível, que envolve desde a parte estrutural do imóvel até a dinâmica do ambiente", afirma Bianca, cujo trabalho envolve estudos de conforto térmico, ergonomia e fluxograma em cada projeto. Uma entrevista detalhada com o cliente é fundamental para definir as prioridades e os objetivos do projeto. "A meta é conseguir a satisfação do cliente a partir de conceitos que aproveitem da melhor forma o ambiente com redução de custos", destaca a arquiteta.
Segundo ela, um dos fatores que mais encarecem uma obra é a parte hidráulica, e um das saídas para reduzir esse custo seria concentrar ao máximo o compartilhamento dessas tubulações. A parte de acabamento também costuma pesar no bolso e a dica é seguir a planilha quantitativa dos materiais, elaborada pela arquiteta. "Fazemos uma projeção bem realista do que será necessário para evitar desperdícios. Por um custo adicional, posso acompanhar o cliente na hora das compras e sugiro cautela, porque às vezes o vendedor, por falta de conhecimento, acaba sugerindo a compra de 30% a mais de materiais", informa.
Não se empolgar na hora das compras com a grande variedade de opções disponíveis nas lojas de construção é outro conselho: "É comum isso acontecer, o que acaba extrapolando o orçamento. Na verdade, é prioritário o planejamento financeiro na hora de construir. Essa história de que houve muitos gastos adicionais na hora de construir é típico de obras mal planejadas, diferentemente de reformas, em que os imprevistos realmente são mais comuns", garante.
Na avaliação de Bianca Nunes, os projetos que envolvem espaços menores são os mais desafiadores e trabalhosos. "As pessoas tendem a querer colocar tudo em espaços compactos, como vários quartos, área de lazer, churrasqueira, piscina... e é preciso ter jogo de cintura para conseguir mostrar para o cliente que nem tudo é possível de se fazer, de acordo com padrões harmônicos de construção. Às vezes, insistem no jeito deles, mas acabam se arrependendo e voltam ao projeto original", avalia.
Dentre alguns dos seus projetos, Bianca cita a reforma de uma fachada comercial em que o objetivo era aproveitar materiais provenientes de desmanches de construção, como madeiras e ferragens, até como uma maneira de mostrar aos clientes formas de utilização e aplicação dos materiais. Já em uma reforma residencial, a estrutura antiga da casa se transformou em um imóvel mais contemporâneo e usual, com soluções para minimizar a manutenção, como acabamentos de fácil limpeza, texturas e cerâmicas nos muros.
Em outro projeto, a meta foi viabilizar uma casa compacta, econômica e adaptada a uma pessoa portadora de necessidades especiais. "O desafio foi encaixar diversos ambientes em um terreno muito reduzido, associando espaços de passagem adequada ao cliente, que necessita de andador para se locomover; também foi necessário o dimensionamento de circulações mais amplas e áreas de transição de ambientes livres de obstáculos", exemplifica Bianca. Para reduzir custos, foi feita a otimização de acabamentos e aplicações pontuais, além da sugestão de iluminação econômica (LED) para reduzir o consumo de energia.


