Alugar ou comprar?
PUBLICAÇÃO
domingo, 31 de janeiro de 2016
Mie Francine Chiba<br> Reportagem Local 
Com os aluguéis sendo reajustados em 10,95% de acordo com o Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) no acumulado dos últimos 12 meses em janeiro, fica a dúvida para quem está alugando um imóvel: será que compensa continuar pagando aluguel ou partir para a compra de um imóvel? Em janeiro de 2015, a variação era de 3,98%. A restrição de crédito dos bancos tem dificultado a aquisição da casa ou apartamento próprio, e o locatário que está desempregado está negociando com o locador o repasse do reajuste, afirma Marco Antônio Bacarin, presidente do Sindicato dos Corretores de Imóveis de Londrina e Região (Sincil).
"Estamos em um momento econômico difícil, e quem está locando um imóvel, em função do desemprego, está tendo dificuldades de pagar o aluguel. Em um primeiro momento, eles procuram se mudar para um imóvel com valor menor", diz Bacarin. Sem comprovação de renda, entretanto, quem está sem emprego acaba ou voltando para a casa dos pais ou de amigos ou dividindo o aluguel com outras pessoas, continua o presidente do Sincil.
Já quem ainda tem rendimentos está enfrentando problemas para conseguir crédito para a aquisição de um imóvel. "Houve uma redução acentuada no volume de crédito." Por isso, segundo Bacarin, pessoas nessa condição estão preferindo aguardar por um momento melhor para comprar o imóvel próprio e negociando o repasse do reajuste do aluguel com os proprietários. "Quem tem contratos para serem renovados dificilmente está conseguindo repassar o reajuste." Com a oferta maior de imóveis e o medo de não conseguir inquilinos, o locador muitas vezes acaba cedendo e não repassando o reajuste do aluguel aos locatários, diz o presidente.
Para Marcelo Gonçalves, diretor de relações institucionais da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário no Estado do Paraná (Ademi-PR), o cenário de recessão traz oportunidades para os dois lados, tanto para quem quer comprar quanto para quem quer alugar. Por um lado, existe uma oferta maior de imóveis para locação, o que deve levar os preços de aluguel a ficarem mais baixos. Mas por outro, a evolução recente dos preços dos imóveis novos, de 4,41% - menor que o IGP-M -, demonstra que essa, na verdade, é a "hora do comprador", opina Gonçalves.
"Hoje, no mercado, considero que é tempo do comprador. A maioria das incorporadoras está com estoques, e há oportunidades de comprar o imóvel no andar que quiser, no bairro que quiser, com financiamentos ou descontos." Na visão do diretor, também já começam a aparecer no mercado linhas de créditos com condições "razoáveis". "Se considerarmos os aumentos frequentes do IGP-M, acho que o mercado está para compra."


