Alta do dólar deixa mercado tumultuado
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domingo, 31 de janeiro de 1999
Ligia Barroso 
Reunidos na última quinta-feira, na sede do Sinduscon Norte, empresários do setor e construtores londrinenses tinham um único assunto em pauta: o significativo e injustificado aumento de preço em diversos produtos que compõem a lista de material para a construção civil. Estamos discutindo com as empresas associadas uma estratégia conjunta para determinar como vamos lidar com esta situação, disse o presidente da entidade, Clóvis Souza Coelho.
A princípio não existe razão para que os preços sejam aumentados em valores reais e nestas proporções, argumentou o presidente da entidade, citando que os insumos básicos utilizados pela construção civil têm pouca ou nenhuma dependência com os produtos importados e não estão, no mercado interno, indexados em dólar. Temos consciência sim, que muitos produtos que compõem a nossa cesta básica de produção, estão com os preços defasados; só que estamos sem saber quais são os critérios que estão sendo utilizados pelos fornecedores para praticar os rejustes, pois nada justifica aumentos tão abusivos. A impressão é que muitas indústrias estão se aproveitando do tumulto causado pela desvalorização do real e pela insegurança que isto vem causando ao mercado e, sem critério algum, estão aumentando os preços e promovendo a especulação, completou Coelho.
Atendendo a solicitação da própria diretoria, muitos associados enviaram ao Sinduscon Norte, listas enumerando os produtos e quantificando os aumentos já em vigor pela maioria dos fornecedores nestas últimas duas semanas. A preocupação dos construtores, segundo o presidente da entidade que reúne hoje cerca de 100 empresas associadas e com sede no Norte do Paraná, é plenamente justificada. O aço, cujo produto o Brasil é um dos grandes exportadores, já anunciou aumento que varia, conforme o fornecedor, de 7% a 10%. O cimento, que nos últimos quatro anos teve aumento médio de 57%, só nestes últimos 15 dias teve reajustes que chegam a 30% no preço da saca a granel. E, em decorrência disso, o concreto usinado, já subiu 25% na produção do metro cúbico.
Os metais sanitários estão sendo reajustados em até 14%; fios elétricos e cabos, ou estão com as vendas suspensas ou com preços maiores em até 8% em relação à última consulta - isso sem falar no aumento de 28% apresentado em um dos pedidos de luminárias e lâmpadas, e no aviso emitido por uma pedreira da região a uma das empresas associadas. Informalmente disseram que o preço da pedra britada vai subir, não se sabe quanto, porque a pólvora, usada na dinamite para explodir o morro, é importada, ilustra Clóvis Coelho, alertando que atitudes assim só contribuem para provocar a insegurança, a especulação e desorganizar o mercado imobiliário.
Dentre as sugestões apresentadas três serão colocadas imediatamente em prática. Primeiro, um fórum de debates já está agendado para esta quarta-feira, no auditório do próprio Sinduscon Norte (Av. Maringá, 2.400 às 18:30 horas), entre os construtores associados e profissionais do setor. Junto com a convocação, um pedido para que registrem todos os aumentos ocorridos nas últimas semanas no material de construção consumido pela empresa.
Depois, apresentar todos os pontos debatidos e questões levantadas neste final-de-semana, durante a reunião previamente agendada para amanhã, segunda-feira, no Sinduscon Paraná (Curitiba) entre as lideranças estaduais do mercado imobiliário, visando agregar ao movimento norte parananense outros empresários do setor à terceira ação programada pelos empresários londrinenses.
Resistir, o quanto pudermos, ao aumento indiscriminado e injustificado de preços nos produtos, insumos e material de construção; chamar, se for o caso, para discutirmos juntos, os critérios destes aumentos; procurar fazer com os fornecedores o que os consumidores, com todo o direito e razão, fazem com os construtores de unidades habitacionais: determinar o valor de mercado do produto fornecido.
Concluindo, o presidente do Sinduscon Norte do Paraná disse também que outra grande preocupação da entidade é com as empresas empreiteiras que tem obras na cidade em serviços fornecidos a órgão públicos. Coelho alerta que essas empresas podem não conseguir honrar as cláusulas, buscando como recursos legais a renegociação de prazos e custos para manter o equilíbrio financeiro dos contratos e, com isso, paralisar temporariamente as obras.


