Água quentinha no canteiro de obras
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 13 de outubro de 2009
Reportagem Local 
No Brasil ainda há resistência para a criação de uma política sustentável de energia. Mas algumas inicativas, por menores que possam parecer, aos poucos mostram que o aproveitamento da energia solar pode ganhar escala maior. Mais que isso, são iniciativas que contribuem para para a redução da degradação do meio ambiente, ainda ajudam a economizar.
Em Londrina, um exemplo de iniciativa está completando um ano de instalação em um espaço um tanto quando inusitado: o canteiro de obra de uma construtora. Trata-se de um sistema de aquecimento construído com garrafas plásticas de refrigerante, o pet, e que está instalado em todos os oito canteiro de obras que a Plaenge mantém hoje na cidade.
A diferença desse sistema com relação aos aquecedores solares produzidos industrialmente está justamente do material utilizado. As garrafas e alguns metros de canos de PVC são utilizados para confeccionar o painel que serve para a aquecer a água, conta o técnico de segurança da construtora, Wilson Silva.
Calcula-se que o coletor solar feito de materiais reciclados tem uma vida útil de aproximadamente 20 anos. A implantação e o dia a dia do sistema na Plaenge é acompanhado por um estagiário-técnico em meio ambiente. Silva diz que aproximadamente 30% dos 600 funcionários que trabalham nos canteiros da empresa se beneficiam da água aquecida pelo calor do sol.
Muitos funcionários têm o hábito de tomar banho no próprio canteiro, quando o dia de trabalho termina. Os demais utilizam a bicicleta como meio de transporte e por isso deixam o banho para depois de chegar em casa, explica o técnico de segurança.
Ele diz que durante dias ensolarados, entre 10 e 16 horas, a água aquecida pode atingir 45ºC. Por essa razão, o sistema conta com um misturador dotado de água fria. A economia gerada é cerca de 40% em água e energia elétrica. A ideia é implantar esse sistema nos canteiros da Plaenge nas demais cidades em que a empresa atua, completa.
O Brasil é o país com a maior área territorial dos trópicos, recebendo uma quantidade enorme de radiação solar. A cidade de Floranópolis, por exemplo, é o local menos ensolarado do país. Ainda assim, recebe 40% mais energia solar do que o lugar mais ensolarado da Alemanha. Mas como explicar que países com clima temperado e com territórios muito menores produzem muito mais energia solar que o Brasil?
Ainda usando o exemplo da Alemanha, calcula-se que somente no ano de 2007 os alemães instalaram nos telhados de suas casas painéis solares que produzem o equivalente ao que produz a usina nuclear de Angra 2, cerca de 1.200 megawatts.
O país europeu é o pioneiro no incentivo ao uso da energia solar, com um programa federal que subsidia a produção. Os cidadãos podem instalar sistemas de aquecimento solar em suas casas e conectá-los à rede de energia elétrica. Quando produzem mais energia do que a casa consome, a concessionária que administra a rede é obrigada a comprar o excedente.


