Otimizar o uso da água é uma necessidade mundial difundida inclusive pela Organização das Nações Unidas (ONU), que escolheu 2005 para iniciar uma década de ações internacionais com este objetivo. Reservar a água da chuva e utilizá-la para fins não-potáveis é comum em países da Europa, Ásia e África. Irrigar os jardins, lavar pisos e carros, encher piscinas, abastecer descargas sanitárias, torneiras e o sistema de combate a incêndio são atividades que não necessitam de água tratada. Além de conservar os mananciais, o aproveitamento da chuva reduz a probabilidade de enchentes, favorece a recarga dos lençóis freáticos e facilita a limpeza devido à falta de cloro e sais minerais.
®MDBO¯®MDNM¯ Uma parceria entre alemães e brasileiros garantiu a disseminação do sistema em nosso País que, apesar da abundância hídrica, é vítima da poluição e estiagens esporádicas. O equipamento necessário inclui: canaletas de PVC (plástico) para coletar a água do telhado, um filtro, uma bomba elétrica e uma cisterna (fibra de vidro, metal ou concreto armado), que pode ser enterrada ou suspensa em vigas. ''À primeira vista, parece fácil colocar esse conjunto em funcionamento, mas o amadorismo implica em riscos como, por exemplo, vazamento da cisterna, devido a erros no cálculo de dimensionamento ou fissuras; comprometimento estrutural do imóvel ou até o desabamento da caixa'', disse Ricardo Teruo Gharib, engenheiro civil e representante de dois fabricantes no Brasil.
Ainda segundo ele, o equipamento pode ser implantado em qualquer edificação (nova ou antiga) desde que exista um projeto e a preocupação com a qualidade da água. A filtragem de materiais orgânicos (fezes de animais, folhas e gravetos) livrará o líquido de contaminação e o fechamento do reservatório evitará que a união entre luz solar e oxigênio produzam algas.
Curitiba foi a primeira cidade brasileira a incluir o aproveitamento da água de chuva em sua legislação. Na capital paranaense, nos últimos cinco anos, residências, comércios e indústrias com área impermeável superior a 500 metros quadrados são obrigadas a utilizá-la para fins não-potáveis. De acordo com Gharib, o investimento é compensado em dois ou três anos. Em casos onde a quantidade de água usada é grande, o retorno demora menos de um ano. A manutenção consiste basicamente na lavagem do filtro a cada seis meses e da cisterna entre um ou dois anos.

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