Célia Baroni
De Londrina
A aerografia, técnica muito utilizada na pintura de carros, tem um ótimo resultado em gravuras, na decoração de objetos utilitários e até paredes. O equipamento (aerógrafo) permite que o artista regule o jato de tinta e trabalhe uma variedade de tonalidades muito maior do que a pintura à mão.
A junção das cores é sutil, o que permite uma melhor finalização. A pintura ganha profundidade e suavidade, independente da base – madeira, metal, papel,etc.
A pintura feita com esta técnica tem ainda a seu favor a resistência. O resultado final tem a perfeição da pintura em laca, sem a mesma fragilidade. Feita com o apoio do stêncil – máscara com os desenhos vasados –, esta técnica é ideal para a produção em série, particularmente interessante para quem tem como objetivo a comercialização.
A artista plástica Dora Bordin conheceu a técnica em 93 por intermédio de uma amiga. ‘‘Gostei e decidi fazer o curso no Rio de Janeiro, porque não tinha aqui’’, comenta. Mesmo hoje, ela acredita serem poucas as pessoas que trabalham com a pintura em aerografia em objetos e peças.
Embora a utilização do stêncil seja necessária, o resultado não depende unicamente dele. ‘‘Não é uma técnica simples. Aprender a regular o jato para conseguir a tonalidade desejada exige destreza, mas não basta. A pessoa precisa saber pintar’’, orienta a artista plástica.
Além da sensibilidade, é preciso ter criatividade para enxergar e desenvolver produtos que aceitem este tipo de pintura. Dora Bordin vive fazendo novas experiências. Objetos simples como bandejas, relógios de parede, porta cartas e recados, ganham charme e delicadeza com esta técnica de pintura.
Ela ousou ainda adotando novos materias e modificando a forma de produtos comuns. O jogo americano, por exemplo, passou a ser feito em duratex, ganhando resistência e praticidade. A caixa de costura em madeira foi repensada com a ajuda dos clientes para ser mais eficiente. O segredo, diz, é depois de dominada a técnica, apostar na variedade de produtos.

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