Os bons apreciadores de vinho sabem que uma bebida de qualidade, com muito sabor e aroma vem de um envelhecimento maior dentro da própria garrafa. Em resumo, é produto vindo de uma boa adega. Guardar um vinho, porém, pode ser mais fácil do que você imagina, basta ‘‘simplificar as coisas’’, resume o arquiteto Marcelo Melhado, de Londrina.
Os especialistas em vinhos explicam que há bebidas que se beneficiam do envelhecimento, são os chamados vinhos de guarda, como o Borgonha. Há também vinhos cujas qualidades são melhores apreciadas quando bem jovens – o famoso Beaujolais Nouveau, por exemplo. O processo de envelhecimento, entretanto requer cuidados especiais na conservação das garrafas que favoreçam essa evolução do vinho.
A arquiteta Denise Canabrava de Castro destaca que esses cuidados são relativos à temperatura, umidade relativa do ar, luminosidade, vibração e acomodação das garrafas dentro da adega. Por isso, a necessidade do uso de materiais maciços, como madeira e tijolos. O isolamento das paredes pode ainda receber a ajuda do isopor e da cortiça.
As garrafas, informa Denise, devem ficar deitadas e, preferencialmente, com uma leve inclinação para baixo, de forma que o vinho esteja em contato com a rolha. ‘‘Rolha seca pode permitir a passagem do ar e estragar o vinho’’. As prateleiras, de acordo com a arquiteta podem ser de metal, madeira ou cerâmica. O mercado já disponibiliza bloquetes de cerâmica, uma espécie de tubo, para acomodar as garrafas e que permitem ampliar o espaço da adega de acordo com o número de garrafas que vão surgindo.
Tanto Melhado quando Denise destacam que o ambiente precisa ser aerado para evitar fungos ou bolores que também comprometem a qualidade do vinho. Ele informa que existem aparelhos climatizadores e adegas climatizadas que garantem uma melhor conservação do vinho. ‘‘Essas adegas devem custar em torno de R$ 2 mil’’, presume.
O prazer de armazenar preciosidades engarrafadas já foi privilégio apenas de colecionadores, pois o preço de uma adega era elevado: um pequeno modelo francês para 92 garrafas, custa mais de U$ 2 mil. Mas há modelos nacionais a partir de R$ 300,00. Uma adega, como sugere o diretor de degustação da Associação Brasileira de Sommeliers de São Paulo, Arthur Azevedo, deve ser ‘‘do tamanho da paixão e do bolso do proprietário’’.
Marcelo Melhado, entretanto, é contra ‘‘radicalismos’’, pois para ele uma adega deve, antes de tudo, ser um local convidativo e acolhedor. Por isso ele sugere a criação de um local onde o vinho possa ser armazenado e degustado ao mesmo tempo. As adegas subterrâneas são as mais tradicionais e charmosas, mas é possível ter um espaço como este até mesmo dentro de um apartamento. Um armário na sala protegido da luz do sol, pode ser suficiente para conservar bem os vinhos de consumo diário por até um ano. ‘‘O resultado nasce da necessidade e do modo de vida de cada um’’.




Dicas de consevação
Temperatura: entre 14ºC e 17ºC. É importante não variar. O calor pode provocar uma segunda fermentação, criando gás carbônico. Frio demais altera componentes e pode mudar o sabor do vinho.
Umidade: entre 60% e 75% de umidade relativa. Os danos provocados pela secura são graves. A rolha seca permite a entrada de ar na garrafa, oxidando o vinho, que pode virar vinagre.
Iluminação e odores: a iluminação deve ser a menor possível. A luz deve ser indireta para evitar alterações químicas. Cheiros podem contaminar as rolhas e os vinhos.
Vibrações e manuseio: as estantes devem ser firmes. Qualquer oscilação pode provocar alterações na bebida, pois os elementos que se depositam no fundo das garrafas ficam em suspensão.
Transporte: valem as mesmas regras do manuseio, com a diferença de que nesse caso as condições de vibração e temperatura são mais extremas, mas os tempos mais curtos. Evite deixar os vinhos no porta-malas ou expostos ao sol. Evite também chacoalhar a garrafa que esteja levando para consumo em restaurantes.
Vinho depois de aberto: é possível guardar por algum tempo depois de aberto, mas saiba que ele perde gradualmente o aroma e a complexidade. Tampe a garrafa com a própria rolha e guarde na geladeira, isso permitirá que ele dure um ou dois dias. Qaunto mais líquido na garrafa melhor, pois a exposição ao ar será menor.

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