O direito de ir e vir é uma garantia constitucional de todo cidadão brasileiro independente da idade, opção sexual, religião, ideologia política ou estado de saúde. Uma lei não seria necessária se o respeito à diversidade dependesse apenas da consciência de cada um.
A acessibilidade dos deficientes físicos a prédios públicos e privados, por exemplo, despertou a atenção das construtoras nos últimos três anos. Segundo Rogério Cardoso, gerente de engenharia da Plaenge, 6% a 7% da população mundial é composta de pessoas acima dos 60 anos de idade ou portadoras de alguma necessidade especial. ''A adaptação dos imóveis partiu dos hotéis há mais tempo e hoje é reivindicada pelos próprios clientes que sentem, principalmente, dificuldade de locomoção'', explicou o engenheiro civil.
A alteração de projetos para atender também essa parcela da sociedade inclui rampas ao invés de degraus, pisos anti-derrapantes e táteis, maçanetas em forma de alavanca, banheiros maiores com barras de sustentação, corrimões nos dois lados das escadas, sensores de presença, iluminação de emergência, portas automáticas nos elevadores que apresentariam o painel em braile, altura menor e som. Parte dessas modificações são cobradas pela legislação em áreas comuns (calçadas, portarias, hall, corredores, estacionamentos, áreas de lazer entre outros), mas, raramente, todas estão presentes, mesmo em edifícios novos.
Na opinião de Maurício Dinardi II, proprietário da construtora Dinardi, o custo das mudanças em áreas comuns é pequeno em relação aos benefícios que trarão para ambas partes (empresa e cliente). ''No futuro, essa preocupação com idosos e deficientes será fator de seleção na sobrevivência das empresas'', completou.
Para Sebastião José Narciso, presidente da Associação dos Deficientes Visuais de Londrina e Região (Adevilon), muita coisa ainda é necessária para aproveitar as potencialidades do portador de necessidades especiais e incluí-lo definitvamente na sociedade. ''Os Conselhos Municipais, as ONGs e o Ministério Público são parceiros importantes nessa luta. Infelizmente, os resultados nesse campo demoram a aparecer. Mas, certamente, daqui a 10 anos a vida para nós será mais fácil'', almeja o sociólogo e escritor.

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