Construir ou reformar um imóvel pode ser bem mais trabalhoso e complicado do que as pessoas imaginam. Além de preocupações com projeto de engenharia e contratação de mão-de-obra, materiais de acabamento fora dos padrões técnicos podem gerar uma série de transtornos.
Os produtos com maior índice de reclamação são pisos e azulejos com tamanhos e tonalidades diferentes, bem como plugs e tomadas de instalações elétricas de dimensões variadas. Outro ponto de insatisfação dos consumidores é a pouca durabilidade dos produtos.
De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil de Londrina (Sinduscon), José Roberto Hoffmann, os materiais deveriam seguir as normas técnicas de padronização. Muitas fábricas, no entanto, não respeitam essas normas e colocam no mercado peças com defeitos e até mesmo de qualidade questionável. Ele ressalta que a falta de padronização pode encarecer a obra, como também ocasionar diversos transtornos tanto para construtores e engenheiros, como para os consumidores.
Hoffmann comentou a experiênca de um construtor, de Londrina, que comprou dezenas de caixas de azulejos do mesmo modelo, mas de lotes diferentes. O produto apresentou diferença na tonalidade. ''A fábrica acabou assumindo o problema e recolocou o produto na obra'', disse Hoffmann. ''As fábricas estão assumindo a responsabilidade, mas isso não resolve todas as deficiências do setor'', afirma.
O gerente regional do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) em Londrina , Mário Ribas Blanski, lembra que a falta de padronização pode desvalorizar o imóvel. ''A gente sempre busca o mínimo padrão de qualidade na hora de comprar um imóvel'', ressalta. Na opinião de Blanski, os produtos só serão melhores, quando os consumidores se inteirarem de seus direitos e fazer valer a lei. ''Temos direito a produtos perfeitos. Quando os consumidores se sentem lesados têm que acionar os órgãos competentes'', acredita.
Algumas ações, segundo o presidente do Sinduscon, poderiam diminuir esses problemas. ''A fiscalização seria eficaz, mas aqui na região é bastante precária'', critica. Além disso, segundo Hoffmann, o setor da construção civil em Londrina não está bem articulado para brigar pela qualidade dos produtos e os consumidores também não cobram essa qualidade dos materiais.
O gerente de fiscalização de produtos do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro), Roberto Tamari, comentou que o órgão fiscaliza os materiais de construção, mas se preocupa exatamente com a segurança que os materiais oferecem aos consumidores. ''Existem normas técnicas que devem ser seguidas e nós analisamos se esses produtos não são prejudiciais às pessoas'', explica. Ele aconselha os consumidores a procurarem sempre por produtos que tenham o selo de certificação do Inmetro.
O coordenador regional do Procon em Londrina, Gerson da Silva, disse que o órgão recebe poucas reclamações relacionadas a material de construção. O problema, segundo ele, pode ser a desinformação dos consumidores em relação aos seus direitos. Ele informou que quando o Procon recebe uma reclamação desse tipo, os órgãos fiscalizadores como o Inmetro e o Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) são acionados. O parecer dos órgãos, de acordo com Silva, vai subsidiar a decisão do Procon em multar o fabricante responsável pelo produto.

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