São Paulo - Após anunciar esta semana o recorde de 299.746 imóveis financiados com recursos da poupança em 2008, a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip) preferiu não fazer projeções para 2009. O montante financiado somou R$ 30 bilhões no ano passado. ‘‘É muito difícil fazer uma previsão nos dias de hoje. Se tivessem me perguntado em outubro sobre o quarto trimestre, talvez eu não seria tão otimista quanto os resultados foram’’, disse o presidente da Abecip, Luiz Antonio França.
  Apesar da piora do ambiente macroeconômico, a média mensal de financiamento imobiliário no último trimestre de 2008 foi de R$ 2,5 bilhões, em linha com a média mensal do ano. Conforme França, essa continuidade demonstra que a decisão de compra do imóvel foi mantida e que os bancos não ficaram mais rigorosos na concessão de crédito imobiliário. Os números de janeiro ainda não estão fechados, mas França disse acreditar que o mês ‘‘deva ser bom’’, ainda que sazonalmente o período seja mais fraco.
  O presidente da Abecip afirmou que os agentes financeiros estão preparados para atender a todas as demandas de crédito imobiliário de pessoas físicas e das empresas de construção e defendeu que os bancos continuem ‘‘operando com os mesmos padrões de segurança’’. Em 2008, dos R$ 30 bilhões em operações financiadas, R$ 16,2 bilhões foram contratos fechados com empresas e R$ 13,8 bilhões com pessoas físicas. O item pessoas físicas abrange a parte dos repasses dos financiamentos para os bancos após a entrega das chaves que supera o que foi negociado com as incorporadoras, além de crédito para imóveis usados.
  Durante entrevista à imprensa, França destacou que o mercado esperava, no início de 2008, que os financiamentos imobiliários chegassem a R$ 25 bilhões no ano passado, mas que a Abecip já vinha sinalizando que o número poderia ficar próximo de R$ 30 bilhões. O presidente da Abecip ressaltou também que foi um grande passo para o setor ter batido o recorde de 1981, quando foram financiadas 267 mil unidades, ainda que a população brasileira e a demanda por moradias tenham crescido.
  França disse esperar que o ritmo de vendas dos lançamentos, reduzido com a cautela maior dos consumidores, seja retomado. ‘‘Estamos em um período atípico para análise, em função da grande turbulência no mercado mundial. Tanto pessoas mais graduadas quanto mais simples estão olhando o que acontece na Bolsa do Japão’’, afirmou. Ele citou também que a velocidade de vendas caiu mais em imóveis de quatro dormitórios do que em unidades menores e que as incorporadoras estão buscando os nichos mais adequados e fazendo lançamentos somente onde têm certeza de que terão bom índice de vendas. ‘‘O mais importante é que haja demanda para os lançamentos. As instituições financeiras têm de financiar projetos que têm demanda.’’

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