A tecnologia e o meio ambiente
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de janeiro de 2001
Da Redação 
Não importa se é um mercadinho de 40 metros quadrados na periferia de Porecatu ou uma gigantesca barragem no Rio Tibagi: o certo é que qualquer obra afeta um determinado ambiente movimenta a terra, derruba árvores, inunda matas, desabriga animais, produz ruído, gera entulho.
Se em nome do progresso e do nosso conforto as construções são inevitáveis, o que fazer, então, para que o meio ambiente sofra o mínimo possível?
É para buscar respostas a esse dilema que a comissão organizadora do 2º Congresso Paranaense de Ambiente Construído (Copac) escolheu para a edição deste ano o tema Homem e meio ambiente: desafios da tecnologia.
Paletras, debates, mesas redondas e workshops reunirão cerca de 700 congressistas (engenheiros, arquitetos, designers, estudantes, pesquisadores, representantes de entidades de classe e instituições de ensino) nos dias 14, 15 e 16 de março no Centro de Exposições e Eventos de Londrina. O Copac integra a programação da FeiraCon 2001, que abre o calendário nacional de eventos da construção civil.
Além do Sinduscon Norte do Paraná e da LPR Promoção (realizadoras da feira), fazem parte da comissão organizadora o Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina e três instituições de ensino superior: o Cesulon, a UEL e a Unopar.
Essa é a preocupação do novo século, define Kátia Ortega, coordenadora do escritório técnico de engenharia e arquitetura da Unopar, sobre o tema escolhido. O homem nunca havia se dado conta disso: como lidar com toda essa tecnologia sem destruir o meio ambiente, ela explica.
Neste destruir o meio ambiente há um ponto essencial para a própria construção civil: o tão propalado e nem sempre levado a sério esgotamento de recursos naturais. Na opinião do coordenador do curso de engenharia e arquitetura do Cesulon, Gilson Bergoc, é preciso encarar de frente, agora, questões que estão reservadas para um futuro não muito distante.
Algumas delas: E daqui a 40, 50 anos, quando esgotarem-se as reservas de petróleo, fonte de energia e de matéria prima para a produção de diversos materiais? E quando acabar ou diminuir drasticamente a argila, o que pode transformar Jataizinho, cuja economia ainda é calcada nas indústrias cerâmicas, por exemplo, em uma cidade-fantasma? Em resumo, é preciso, urgentemente, criar técnicas que nos propiciem utilizar cada vez melhor os recursos naturais, capacitar e reciclar os profissionais da área e, ainda, estimular a pesquisa de materiais alternativos, argumenta Bergoc.
O arquiteto enfatiza ainda que importante, também, é estudar a fundo fatos do passado que podem inaugurar novas técnicas para o futuro. Como explicar que no Japão casas de madeira durem perto de mil anos? É possível, através da pesquisa, aumentar a vida útil dos recursos naturais, acredita Gilson Bergoc. Uma tecnologia adequada contemplaria nossa necessidade de melhorar a qualidade de vida e, ao mesmo tempo, preservar o meio ambiente.
A importância do Copac pode ser medida pelos resultados do primeiro congresso, em março do ano passado. Entre outras novidades, o evento levantou um tema que interessa principalmente aos construtores e incorporadores: por que muitas vezes o cliente, ao entrar em seu novo apartamento ou escritório, quebra paredes, remodela cômodos, provoca reformas? E comprovou que, se bem conduzidos, os projetos, principalmente os mais massificados, podem vencer o desafio tecnológico de satisfazer os clientes e evitar perda de materiais na chamada pós-ocupação.
Em tempos de crescente preocupação com a ecologia e da intenção, por exemplo, de se construir várias usinas hidrelétricas ao longo do Rio Tibagi as discussões que serão travadas no 2º Copac ganham uma importância extra, na opinião do professor da UEL e diretor do Sinduscon, José Roberto Hoffmann. O congresso dará subsídios até mesmo para autoridades e técnicos aprimorarem a legislação que regulamenta as necessidades de estudos e relatórios de impacto ambiental para cada tipo de obra, ele aposta. O tema deste ano é superatual.
Serviço
As inscrições antecipadas para o 2º Copac vão até o dia 8 de março. Custam R$ 150,00 para profissionais e R$ 60,00 para estudantes. Podem ser feitas diretamente no Clube de Engenharia e Arquitetura (Av. Maringá, 2.400, fone 348-3100) ou mediante depósito bancário via fax (328-0704) na LPR. No dia do evento, os preços sobem para R$ 190,00 e R$ 80,00, respectivamente. Associados do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina e do Sinduscon Norte do Paraná têm 30% de desconto nas inscrições antecipadas.


