Não importa se é um mercadinho de 40 metros quadrados na periferia de Porecatu ou uma gigantesca barragem no Rio Tibagi: o certo é que qualquer obra afeta um determinado ambiente – movimenta a terra, derruba árvores, inunda matas, desabriga animais, produz ruído, gera entulho.
Se em nome do progresso e do nosso conforto as construções são inevitáveis, o que fazer, então, para que o meio ambiente sofra o mínimo possível?
É para buscar respostas a esse dilema que a comissão organizadora do 2º Congresso Paranaense de Ambiente Construído (Copac) escolheu para a edição deste ano o tema ‘‘Homem e meio ambiente: desafios da tecnologia’’.
Paletras, debates, mesas redondas e workshops reunirão cerca de 700 congressistas (engenheiros, arquitetos, designers, estudantes, pesquisadores, representantes de entidades de classe e instituições de ensino) nos dias 14, 15 e 16 de março no Centro de Exposições e Eventos de Londrina. O Copac integra a programação da FeiraCon 2001, que abre o calendário nacional de eventos da construção civil.
Além do Sinduscon Norte do Paraná e da LPR Promoção (realizadoras da feira), fazem parte da comissão organizadora o Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina e três instituições de ensino superior: o Cesulon, a UEL e a Unopar.
‘‘Essa é a preocupação do novo século’’, define Kátia Ortega, coordenadora do escritório técnico de engenharia e arquitetura da Unopar, sobre o tema escolhido. ‘‘O homem nunca havia se dado conta disso: como lidar com toda essa tecnologia sem destruir o meio ambiente’’, ela explica.
Neste ‘destruir o meio ambiente’ há um ponto essencial para a própria construção civil: o tão propalado – e nem sempre levado a sério – esgotamento de recursos naturais. Na opinião do coordenador do curso de engenharia e arquitetura do Cesulon, Gilson Bergoc, é preciso encarar de frente, agora, questões que estão reservadas para um futuro não muito distante.
Algumas delas: ‘‘E daqui a 40, 50 anos, quando esgotarem-se as reservas de petróleo, fonte de energia e de matéria prima para a produção de diversos materiais? E quando acabar – ou diminuir drasticamente – a argila, o que pode transformar Jataizinho, cuja economia ainda é calcada nas indústrias cerâmicas, por exemplo, em uma cidade-fantasma? Em resumo, é preciso, urgentemente, criar técnicas que nos propiciem utilizar cada vez melhor os recursos naturais, capacitar e reciclar os profissionais da área e, ainda, estimular a pesquisa de materiais alternativos’’, argumenta Bergoc.
O arquiteto enfatiza ainda que importante, também, é estudar a fundo fatos do passado que podem inaugurar novas técnicas para o futuro. Como explicar que no Japão casas de madeira durem perto de mil anos? ‘‘É possível, através da pesquisa, aumentar a vida útil dos recursos naturais’’, acredita Gilson Bergoc. ‘‘Uma tecnologia adequada contemplaria nossa necessidade de melhorar a qualidade de vida e, ao mesmo tempo, preservar o meio ambiente.’’
A importância do Copac pode ser medida pelos resultados do primeiro congresso, em março do ano passado. Entre outras novidades, o evento levantou um tema que interessa principalmente aos construtores e incorporadores: por que muitas vezes o cliente, ao entrar em seu novo apartamento ou escritório, quebra paredes, remodela cômodos, provoca reformas? E comprovou que, se bem conduzidos, os projetos, principalmente os mais massificados, podem vencer o desafio tecnológico de satisfazer os clientes e evitar perda de materiais na chamada pós-ocupação.
Em tempos de crescente preocupação com a ecologia – e da intenção, por exemplo, de se construir várias usinas hidrelétricas ao longo do Rio Tibagi – as discussões que serão travadas no 2º Copac ganham uma importância extra, na opinião do professor da UEL e diretor do Sinduscon, José Roberto Hoffmann. ‘‘O congresso dará subsídios até mesmo para autoridades e técnicos aprimorarem a legislação que regulamenta as necessidades de estudos e relatórios de impacto ambiental para cada tipo de obra’’, ele aposta. ‘‘O tema deste ano é superatual.’’
Serviço
As inscrições antecipadas para o 2º Copac vão até o dia 8 de março. Custam R$ 150,00 para profissionais e R$ 60,00 para estudantes. Podem ser feitas diretamente no Clube de Engenharia e Arquitetura (Av. Maringá, 2.400, fone 348-3100) ou mediante depósito bancário via fax (328-0704) na LPR. No dia do evento, os preços sobem para R$ 190,00 e R$ 80,00, respectivamente. Associados do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina e do Sinduscon Norte do Paraná têm 30% de desconto nas inscrições antecipadas.

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