A rusticidade do campo
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sábado, 20 de julho de 2002
Célia Guerra<br> Reportagem Local 
Ter um cantinho para curtir o final de semana, longe da barulheira e da fumaça da cidade, não exige grandes investimentos e nem precisa ser deixado para ''a aposentadoria''. Qualidade de vida e bem viver, aliás, devem ser prioridades.
Foram esses os motivos que levaram os dentistas londrinenses Edeny e Wilson Trevisan Júnior a investirem em uma propriedade rural em Jaguapitã (46 km ao norte de Londrina). O sítio, de 40 alqueires, abriga uma confortável casa de 261 metros quadrados. Nela você não vai encontrar nenhum grande projeto arquitetônico. A simplicidade e o aconchego marcam o lugar, tornando-o ponto obrigatório para a família e amigos.
A cozinha é o cômodo mais frequentado. Nela o destaque é o típico fogão a lenha, onde panelas de barro e de ferro comandandas pelas mãos de Edeny, preparam verdadeiras delícias, ''com sabor de infância'', conceitua. O cardápio é tão clássico como a comida caseira: frango caipira com polenta ou com macarrão. Para os paladares mais exigentes há ainda pratos exóticos e finos como o javali e a galinha d'angola. Os ingredientes principais são produzidos no sítio, que abriga ainda uma horta, um pomar, patos, bois, cavalos. Os proprietários ensaiam também a criação de perdizes.
A cozinha, além do fogão a lenha estrategicamente instalado ao lado da pia e do fogão a gás , abriga uma churrasqueira e um forno a lenha, de onde sai aquele pão caseiro quentinho, que você saboreia com a tradicional manteiga ''Aviação'', derretendo por entre os dedos.
Tijolinhos à vista colocados na churrasqueira e no forno, além de um sistema de ganchos como se fossem varais onde são pendurados panelas de cobre, toucinho e réstias de alho instalados sobre o fogão a lenha garantem a rusticidade do ambiente. O piso também tem ''cara'' de sítio e é feito em cimento batido, ornamentado com retângulos de tijolo maciço.
Os armários da cozinha se resumem à bancada de concreto coberta por toalhinhas e cortinas plásticas. Como não poderia faltar, um guarda-comida, muito bem fechado, acomoda as ''compras''. Sobre ele são colocados os vidros de temperos e molhos de pimenta caseiros.
Do lado de fora numa ampla varanda, ligada à cozinha através de uma espécie de passa-pratos, estão colocadas algumas poltronas e uma rede. Por mais bucólica que a cena pareça, o sítio inspirou uma construtora da cidade a montar uma cozinha de fazenda na parte térrea de um edifício em construção com fogão e forno a lenha. O local será espaço de lazer para os adeptos das reuniões e demonstrações culinárias. Sinal de que os hábitos urbanos estão se transformando.
Edeny conta que a cozinha permite um retorno à infância, pois tanto ela quanto o marido conviveram com a vida rural. A casa tem atraído não só os amigos do casal, mas também das filhas, Larissa Trevisan, 20 anos, e Lívia Trevisan, 19 anos. ''Nos finais de semana costumamos estar em 25 pessoas'', revela.


