A racionalidade da alvenaria estrutural
PUBLICAÇÃO
sábado, 03 de outubro de 1998
Ligia Barroso 
A indústria da construção civil brasileira ainda utiliza pouco o sistema de alvenaria estrutural - blocos de concreto calculados e produzidos industrialmente conforme projeto. Em São Paulo, a alvenaria estrutural é utilizada em cerca de 30% das obras. No Paraná, este percentual ainda não ultrapassa os 5%.
Mas a perspectiva de mudança já pode ser sentida nas grandes obras da região metropolitana de Curitiba. Os empresários estão optando por alvenaria não-armada em blocos de concreto, o que representa um primeiro passo. O comentário é do engenheiro e consultor Antonio Augusto Borges. Durante palestra, realizada na Universidade Federal do Paraná, em Curitiba, o engenheiro enfatizou que este sistema construtivo representa a racionalização das construções civis.
O processo sistêmico da obra reduz desperdícios e o uso de concreto, ferragem e mão-de-obra. Permite viabilizar habitações mais baratas, gera simplificação na execução e facilita o controle de qualidade, pois os componentes apresentam dimensões mais homogêneas que as construções convencionais. As observações de Borges encontram eco no Norte do Estado.
Em Londrina, o engenheiro e construtor, Junker Graciotto diz mais: A alvenaria estrutural não é uma revolução, até mesmo porque as pirâmides do Egito, os aquedutos romanos e as catedrais de séculos passados foram construídos assim; mas é um passo à frente em sistemas construtivos atuais. Evoluímos, tecnologicamente, e hoje construímos em menor tempo e de forma mais simplificada.
Segundo Junker, é a possibilidade de simplificação que torna a alvenaria estrutural um sistema construtivo moderno, em que ganhos com a agilidade na execução e qualidade do produto final são os grandes diferenciais. Além disso, a diferença conceitual deste sistema é muito grande, se comparado ao convencional.
A alvenaria estrutural serve, ao mesmo tempo, como estrutura e vedação. Ou seja, na construção de um edifício, por exemplo, levanta-se a parede e faz-se a laje. Portanto, a partir da segunda laje, já existe um piso inferior totalmente pronto para receber os acabamentos. Assim, ao levantar o último andar, o penúltimo já poderá estar praticamente pronto.
Os contrapontos para a resistência em sua utilização: É um sistema que exige organização e precisão de execução; os blocos não aceitam correções. As paredes são desenhadas bloco a bloco, e os ganhos estão justamente nestes pontos. Na qualidade do produto final, no menor consumo de material de acabamento - elimina-se o chapisco e a massa grossa; a massa fina - e/ou azulejos - vai diretamente em cima do bloco, representando ganhos de material em até dois centímetros na expessura.
Em contrapartida, estas exigências talvez sejam o maior benefício indireto para que empresas e profissionais tenham uma mudança de comportamento, em relação à metodologia, resultando em serviços e produtos mais qualificados, conclui Graciotto.


