Investimentos em imóveis sempre foram sinônimo de segurança. Ter um bem de raiz, com valorização certa e retorno mensal, cada vez mais têm atraído investidores, principalmente, quando os juros do mercado financeiro estão em queda. No entanto, há alguns anos o mercado ensaia mais uma modificação no seu perfil, que está sendo chamada de profissionalização do setor. Isso significa que a maioria dos imóveis comerciais têm ficado nas mãos de investidores. A expressão ''sede própria'' para grandes empresas pode estar virando coisa do passado.
Esse movimento foi iniciado com os bancos. As instituições bancárias começaram a se desfazer das suas sedes e, na esteira, vieram os grandes magazines e as redes de supermercados. A lógica é direcionar as atenções apenas para o foco das suas atividades. Sem imóvel próprio, as empresas deixam de ter um capital parado, em um bem imóvel, e não precisam se preocupar com a manutenção do prédio e o pagamento de impostos. ''Sem o capital empregado em um imóvel, as empresas ficam com mais recursos e podem abrir outras lojas'', explica o imobiliarista Raul Fulgêncio.
Segundo o também imobiliarista, Abílio Medeiros, a venda dos imóveis comerciais foi uma maneira encontrada pelos empresários para fazer captações de dinheiro mais barato do que os encontrados no mercado financeiro. ''Os empresários ficam com o dinheiro e vão pagar cerca de 1% ao mês sobre o valor do imóvel. Essas operações desoneram as empresas, que não precisam investir em um imóvel e nem se preocupar com os problemas de desgate do prédio e o pagamento de impostos'', comenta.
E para garantir a continuidade de endereço, uma vez que o ponto comercial é importante para empresas, os contratos são fechados por um prazo mais longo de, no mínimo, cinco anos. Para os investidores, esse tipo de transação também oferece várias vantagens. O proprietário não fica com o imóvel fechado e nem precisa procurar um inquilino. Com o prédio sempre ocupado, o imóvel não gera despesas. ''Os investidores ficam com um bem de raiz, têm retorno certo mensal de 1% sobre o valor do patrimônio e ainda têm a valorização do imóvel. É um investimento que oferece segurança e ainda tem valorização'', assinala Raul Fulgêncio.
Há casos também em que os imóveis são construídos com a finalidade específica de abrigar determinado banco ou loja. Nesse caso, os prédios obedecem as normas de arquitetura e lay-out da rede. Em Londrina, inclusive, já ocorreram contratos dessa forma. Pelo menos duas agências bancárias foram construídas por investidores com contrato de locação já fechado.
Palhano - A Gleba Palhano (Zona Sul), uma das regiões mais valorizadas de Londrina, começa a atrair investimentos comerciais. O bairro oferece várias vantagens com relação às demais regiões da cidade: é formado basicamente por prédios de alto padrão, tem uma alta densidade demográfica, os moradores são das classes A e B e muito pouco do seu potencial de construção foi explorado. Além disso, a Avenida Madre Leonia Milito funciona como um ''corredor'' para os condomínios horizontais, um shopping e duas universidades.
Em dois meses, a região vai ganhar novos investimentos. O projeto, elaborado pela Raul Fulgêncio Desenvolvimento, terá o formato de um shopping mall e será construído na esquina das avenidas Madre Leonia Milito e João Wiclyff. Serão 11 mil metros quadrados de área construída e a obra traz ainda um outro diferencial: 240 vagas de estacionamento substerrâneas. O empreendimento será bancado por investidores e as empresas que irão instalar suas lojas no local também já fecharam contratos de locação.
O imobiliarista Raul Fulgêncio prefere ainda não divulgar o nome dessas empresas, mas informa que o local contará com supermercado, banco, loja de móveis, locadora de vídeo, lavanderia, cabeleireiros, academia, loja de vinhos, banca de revista e lanchonete. ''Os empreendedores todos têm negócios já consolidados na cidade'', comenta. A previsão é inaugurar o novo shopping mall em meados do próximo ano.
Além do shopping mall, a Avenida Madre Leonia Milito vai ganhar dois novos investimentos: mais uma unidade de uma rede estadual de supermercados e uma pizzaria.

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