A parede não mais a única alternativa para o quadro
PUBLICAÇÃO
domingo, 12 de novembro de 2000
Célia Baroni de Londrina 
Lugar de quadro é na parede, pendurado pouco acima da linha dos olhos. A faixa formada pela altura máxima e mínima permitida sempre foi definida. O máximo que se permitia, até pouco tempo atrás, eram pequenas variações dentro dessa faixa. Hoje, no entanto, qualquer lugar pode ser interessante para colocar uma tela.
Amplamente utilizada por decoradores, este novo modo de dispor das telas leva as pinturas e gravuras para cima dos móveis apoiadas sobre eles e para o chão, usando a parede apenas como apoio. As exigências continuam sendo a harmonia da composição e o bom senso. No restante deve-se deixar a criatividade e o modo de vida do morador ditar as regras., afirma o arquiteto Wagner Donadio.
É possível jogar os quadros quase rentes ao teto, se o detalhamento do teto for importante para compor o clima do ambiente, exemplifica. Wagner Donadio esclarece que essa nova liberdade não prejudica a visualização dos quadros, apenas acrescenta mais alternativas e funções a eles. Os quadros, diz, passam a ser também objetos de decoração; exatamente como um vaso.
Sobre o chão e apoiado à parede, ao lado da mesinha do sofá; em uma sequência ou sozinho em uma prateleira sobre a mesa de estudos ou bar e até separando livros na biblioteca. Tudo é válido se o resultado for bonito e prático. É que, dependendo da proposta, os detalhes da pintura passam a ser secundários, a sua forma e cores.
As novas alternativas ampliam a capacidade do ambiente para receber quadros e abrem espaços para os trabalhos que , mesmo sendo de valor artístico questionável, agradam ao morador e tem um valor afetivo. Por isto, quem gosta, ganha paredes inteiras nos mais variados ambientes para colocar seus quadros.
Mas atenção, mesmo colocando os quadros em lugares diferentes, o arquiteto lembra que a referência mais importante continua sendo a posição de quem olha. O quadro é feito para ser visto; o que pode ser trabalhado é a forma como ele vai ser observado.
Estando a pessoa em pé ou sentada, o olhar vai sempre buscar o centro do espaço; o quadro ou parte da imagem que estiver neste ponto será sempre o mais valorizado afirma. Definido o centro da área a ser usada, é possível trabalhar qualquer distribuição das telas para obter o resultado desejado.
Mesmo com toda a liberdade há regras básicas que devem ser consideradas para preservar a harmonia do ambiente. Na hora de elaborar a composição, é importante lembrar que a organização vertical faz o lugar parecer mais alto e a horizontal vai sempre dar a impressão de que a parede é mais baixa.
Outra regra que merece uma atenção especial é o espaço entre as peças. Ele não deve ser maior que a metade da largura do quadro ou do objeto menor da composição. Se esta proporção não for mantida o resultado será a impressão de vazios ou amontoados, prejudicando a composição. Uma boa dica para quem quer colocar suas telas em evidência é escolher um fundo liso e, de preferência, escuro. Ele vai ressaltar a pintura.
Entre as normas do bom senso, está levar em consideração o tipo de tela que se pretende usar. Ninguém vai apoiar um quadro de Van Gogh, argumenta. O lugar de honra continua sendo mesmo o tradicional, na altura da linha dos olhos, a não ser que a tela seja muito grande. Este espaço deve receber as obras especiais.


