Lugar de quadro é na parede, pendurado pouco acima da linha dos olhos. A faixa formada pela altura máxima e mínima permitida sempre foi definida. O máximo que se permitia, até pouco tempo atrás, eram pequenas variações – dentro dessa faixa. Hoje, no entanto, qualquer lugar pode ser interessante para colocar uma tela.
Amplamente utilizada por decoradores, este novo modo de dispor das telas leva as pinturas e gravuras para cima dos móveis – apoiadas sobre eles – e para o chão, usando a parede apenas como apoio. ‘‘As exigências continuam sendo a harmonia da composição e o bom senso. No restante deve-se deixar a criatividade e o modo de vida do morador ditar as regras.’’, afirma o arquiteto Wagner Donadio.
‘‘É possível jogar os quadros quase rentes ao teto, se o detalhamento do teto for importante para compor o clima do ambiente’’, exemplifica. Wagner Donadio esclarece que essa nova liberdade não prejudica a visualização dos quadros, apenas acrescenta mais alternativas e funções a eles. Os quadros, diz, passam a ser também objetos de decoração; exatamente como um vaso.
Sobre o chão e apoiado à parede, ao lado da mesinha do sofá; em uma sequência ou sozinho em uma prateleira sobre a mesa de estudos ou bar e até separando livros na biblioteca. Tudo é válido se o resultado for bonito e prático. É que, dependendo da proposta, os detalhes da pintura passam a ser secundários, a sua forma e cores.
As novas alternativas ampliam a capacidade do ambiente para receber quadros e abrem espaços para os trabalhos que , mesmo sendo de valor artístico questionável, agradam ao morador e tem um valor afetivo. Por isto, quem gosta, ganha paredes inteiras nos mais variados ambientes para colocar seus quadros.
Mas atenção, mesmo colocando os quadros em lugares diferentes, o arquiteto lembra que a referência mais importante continua sendo a posição de quem olha. O quadro é feito para ser visto; o que pode ser trabalhado é a forma como ele vai ser observado.
‘‘Estando a pessoa em pé ou sentada, o olhar vai sempre buscar o centro do espaço; o quadro ou parte da imagem que estiver neste ponto será sempre o mais valorizado’’ afirma. Definido o centro da área a ser usada, é possível trabalhar qualquer distribuição das telas para obter o resultado desejado.
Mesmo com toda a liberdade há regras básicas que devem ser consideradas para preservar a harmonia do ambiente. Na hora de elaborar a composição, é importante lembrar que a organização vertical faz o lugar parecer mais alto e a horizontal vai sempre dar a impressão de que a parede é mais baixa.
Outra regra que merece uma atenção especial é o espaço entre as peças. Ele não deve ser maior que a metade da largura do quadro ou do objeto menor da composição. Se esta proporção não for mantida o resultado será a impressão de ‘vazios’ ou ‘amontoados’, prejudicando a composição. Uma boa dica para quem quer colocar suas telas em evidência é escolher um fundo liso e, de preferência, escuro. Ele vai ressaltar a pintura.
Entre as normas do ‘bom senso’, está levar em consideração o tipo de tela que se pretende usar. ‘‘Ninguém vai apoiar um quadro de Van Gogh’’, argumenta. O lugar de ‘honra’ continua sendo mesmo o tradicional, na altura da linha dos olhos, a não ser que a tela seja muito grande. Este espaço deve receber as obras especiais.

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