Célia Baroni


De Londrina

Na onda dos 500 anos do Brasil, a cultura indígena desperta o interesse do consumidor e inspira artistas e decoradores na criação de ornamentos para a casa
Só agora o artesanato indígena brasileiro começa a passar de souvenir à peça de decoração valorizada no Brasil. Os passos ainda são tímidos, mas a verdade é que nos últimos anos o mundo da decoração também vem ‘‘redescobrindo’’ o Brasil. Entre um ‘‘fuxico e outro’’; nas vielas de Minas, no artesanato nordestino; todos os caminhos levam aos índios.
Espalhados em tribos por todo País, com culturas e características totalmente diferentes umas das outras, seu artesanato oferece variedade. A cultura indígena vem seguindo o mesmo caminho do artesanato mineiro e nordestino. Eles também precisaram conquistar a aprovação dos estrangeiros, para entrar pela‘‘ porta da frente’’ nas casas brasileiras.
Comentários à parte, verdade seja dita: nunca o Brasil esteve tão ‘‘taba’’ quanto agora. É claro que as comemorações dos 500 anos da chegada dos portugueses ao País tem sua influência. O lado bom é que a cultura desses povos e sua história verdadeira está sendo finalmente divulgada e valorizada como parte importante da história do Brasil.
O lado ótimo é que a decoração ganha mais recursos para colorir os ambientes e se orgulhar do que é nosso. Um exemplo é o sucesso das aquarelas do artista plástico paranaense, Osmar Geraldo Koxne. Ele criou uma série tendo como tema principal os adornos dos índios yanomamis, de Roraima.
Koxne teve a oportunidade de visitar e conviver com estes índios durante filmagens das quais participou como diretor de imagem. ‘‘A idéia nasceu com o objetivo de mostrar a beleza da cultura deste povo, sua forma de encarar a estética’’, esclarece. A atenção especial que dedicam aos enfeites, diz, é uma forma a mais dos yanomamis demonstrarem o orgulho que têm de seus costumes e raça.
Nas telas, Koxne reproduz com perfeição a expressão e os traços físicos dos índios. Apesar disto a primeira coisa que chama atenção em seus trabalhos são os detalhes e cores dos adornos. O índio fica sempre em segundo plano, como um modelo vestindo uma roupa de Versace durante um desfile.
‘‘Utilizei cores e tons para garantir o destaque do tema dos meus trabalhos. Nas telas não falo do indivíduo, mas do povo e sua cultura’’, frisa. O resultado é belíssimo. Além do valor artístico, as telas têm um valor decorativo interessante, principalmente se a opção for uma composição de várias unidades.
As pessoas gostaram tanto da série – 15 retratos e mais de 30 telas só com reprodução dos enfeites – que Koxne já está desenvolvendo um outro trabalho mantendo como tema central os costumes indígenas. Ele garante que tem um farto material fotográfico e já está agendando novas viagens para conhecer a cultura de outros povos indígenas.
‘‘É uma cultura tão rica e apaixonante, que abre uma infinidade de alternativas’’, afirma. Desta vez, diz, o projeto é fazer um documentário em aquarela. Koxne é representado pela Tulipa Negra, empresa de decoração paulista, única que comercializa seus trabalhos.
Seu trabalho não é o único que tem como centro a cultura indígena. Durante o 3º DAD-Salão Internacional de Decoração, Arte e Design, recém-realizado em São Paulo, a empresa lançou uma linha de almofadas nas cores da Arara com costuras em contas, sementes e penas. Uma leitura soft e simpática de autoria da designer Ana Paula Schiavi.

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