À espera da acessibilidade
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sábado, 20 de setembro de 2014
Michelle Aligleri<br>Reportagem Local 
"A dificuldade de acessar um estabelecimento é cotidiana. Muitas lojas na beira da calçada têm degrau para entrar". A frase do cadeirante e presidente da Associação dos Deficientes Físicos de Londrina (Adefil), Paulo Lima, relata a realidade vivida por quem tem dificuldade de locomoção. A falta de rampas nos meio fios, degraus entre as calçadas e a ausência de faixas táteis são algumas das principais dificuldades encontradas pelos deficientes físicos ao sair à rua.
Para evitar situações constrangedoras Paulo Lima acaba não entrando em lojas que tem escadaria. "Não quero chegar com a cadeira de rodas ao pé da escada e ficar perguntando como faço para subir", acrescenta. Para ele outra dificuldade é referente às vagas de estacionamento para deficientes, que nem sempre são respeitadas pelos demais motoristas. "Jamais o mundo vai ficar completamente adaptado e acessível para a pessoa com deficiência", lamenta. "Mas a acessibilidade é uma questão de direito e permite às pessoas irem e virem com maior segurança e independência",resume.
O engenheiro civil e agente de fiscalização do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia (Crea), Alexandre Praina Barroso, lembra que a ausência das adequações que facilitem a vida das pessoas com dificuldades de mobilidade é um problema crônico na maioria das cidades. "Em alguns casos nem existe calçada ou o piso é muito irregular", lembra. Àqueles que querem adequar as calçadas, ele orienta procurar um profissional que seja responsável pelo projeto e pela execução da obra e destaca que rampas devem ser construídas de acordo com as regras definidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), para que sejam acessíveis e não coloquem os cadeirantes em risco.
Barroso destaca ainda que, quando essas adequações existem, nem sempre há alinhamento entre os pisos táteis de uma calçada para outra e em muitos casos eles são colocados próximos a placas, orelhões, galhos e raízes de árvores que afetam o passeio público e dificultam a movimentação dos cegos. Para evitar esse tipo de situação, as normas da ABNT também devem ser seguidas na hora de instalar os pisos táteis. O mesmo deve ser feito na hora de projetar banheiros para deficientes físicos, já que eles devem ter uma série de elementos que facilitam o uso, além de espaço suficiente para a circulação da cadeira.
O engenheiro lembra que um decreto federal estabelece que todas as edificações públicas ou de uso público devem ser adequadas para uso de pessoas com deficiência. Conforme ele, quem tiver dificuldade para acessar algum estabelecimento pode solicitar ajuda ao Ministério Público e às prefeituras. "Na maioria das cidades há um código de posturas e a prefeitura tem o poder de exigir que a acessibilidade seja respeitada", destaca.


