A construção de um futuro
PUBLICAÇÃO
sábado, 11 de julho de 2009
Edivaldo Magro<br> Especial para a FOLHA 
''Não vou parar por aqui'', diz Josiani Aparecida da Silva, 25 anos, ao receber recentemente o certificado do curso de formação de pedreiro ao final de dez semanas de aprendizado. Única mulher de uma turma de dez formandos, ela resume o entusiasmo de jovens de 18 a 29 anos que participaram do curso ministrado na Ong Encontro Fraterno Lins de Vasconcelos, em Maringá (Região Noroeste), com apoio de sindicados ligados à construção civil.
O curso faz parte do projeto ''Futuro em Nossas Mãos'', desenvolvido pela Votorantim Cimentos. Criada em 2005, a iniciativa já qualificou cerca de 8 mil jovens e a previsão é formar pelo menos 500 novos pedreiros este ano em diversas cidades do País. No Paraná, o projeto começou por Curitiba e Maringá é a segunda cidade do Estado a desenvolvê-lo. ''O sucesso da iniciativa se sustenta em parcerias'', explica Endrie Smolka, coordenador comercial da Votorantim.
A Votorantim garante os recursos para a contratação de instrutores e fornece os insumos necessários para ao curso, como materiais de construção, ferramentas e equipamentos de proteção individual. A ong, instalada em uma região carente da cidade, fez a triagem dos interessados. O curso começou com 25 matriculados, mas ao longo das aulas mais da metade se desligou pelas razões mais diversas. ''Como eram pessoas desempregadas, algumas voltaram ao mercado de trabalho durante o aprendizado e outras saíram por desinteresse pela atividade'', explica Nacif Alcure Neto, ex-juiz do Trabalho em Maringá e voluntário da Ong Encontro Fraterno.
Os sindicatos patronal (Sinduscon) e de trabalhador (Sintracom) da construção civil também participaram do curso, assim como o Senai. Com duração de dez semanas com aulas em meio período, o curso enfatizou a prática da atividade no canteiro de obras sem esquecer de lições teóricas sobre legislação e segurança no trabalho, aspecto destacado pelo presidente do Sintracom, Jorge de Moraes. ''Prestem sempre atenção no uso dos equipamentos e nas normas de segurança, cujo respeito vai mantê-los vivos e saudáveis em qualquer obra'', explica o dirigente sindical.
A previsão dos realizadores do curso é de que a maioria dos formandos se empregue rapidamente, uma vez que pelo menos metade deles já tem propostas de trabalho. O salário médio de um pedreiro oscila entre R$ 900 e R$ 1 mil e o mercado está carente de profissionais. ''Falta mão-de-obra qualificada em todos os níveis da construção civil, de servente a mestre-de-obras'', comenta Jorge Moraes.
Na Região Metropolitana de Maringá, formada por pouco mais de uma dezena de municípios, cerca de 4,5 mil pessoas trabalham na construção civil e, apesar da crise econômica, a atividade se mantém aquecida. ''Nesse contexto, ações como essa, de formação de mão-de-obra qualificada para o setor cumpre objetivos importantes, a começar pela real criação de oportunidades no mercado e trabalho'', destaca Marcos Pena, presidente do Sinduscon.
A Votorantim não descarta a realização de outros cursos na cidade, mas para isso depende de novas parcerias ou da renovação das atuais. O projeto ainda esbarra na falta de interessados em se especializar na atividade. A carência de trabalhadores nesse setor ainda estaria associada a um certo preconceito. ''Trabalhar numa obra é duro e muitos jovens se sentem inferiorizados em dizer que são operários da construção civil'', avalia Jorge Moraes.
O Grupo Votorantim investe anualmente cerca de R$ 7 milhões em ações sociais vocacionada a inserir jovens de baixa renda no mercado de trabalho. Este ano, somente o projeto ''Futuro em Nossas Mãos'' terá quase R$ 2 milhões em recursos para realizar cursos de formação de pedreiros.
Josiani da Silva não se importa com isso e pretende ir longe na atividade. ''Quero me tornar a primeira mestre-de-obras de Maringá'', sonha. Sabe que o crescimento na profissão ocorre no dia a dia das construções e não se intimida com a dureza do trabalho, assim como Rodrigo Farias, 28 anos, três filhos, que vislumbra no diploma de pedreiro a oportunidade de exercer uma profissão que gosta. ''Creio que agora minha vida vai mudar'', afirma.
Serviço: Prefeituras, entidades e instituições interessadas no projeto ''Futuro em Nossas Mãos'' podem entrar em contato com o Instituto Votorantim pelo site
www.institutovotorantim.org.br.


