Celulares e computadores continuam entre os objetos de desejo mais requisitados pelos brasileiros, segundo uma recente pesquisa divulgada pela Cetelem, financeira do banco BNP Paribas. Mas o que vem crescendo mesmo é o desejo de gastar com peças decorativas e pequenas reformas na casa.
De acordo com essa pesquisa, realizada com 1,5 mil pessoas, 20% dos entrevistados têm a intenção de reformar o lar neste ano e 24% sentem vontade de comprar acessórios decorativos (em 2007 o índice era de 14%).
Apesar do entusiasmo que toma conta de quem deseja renovar a casa, os especialistas no assunto recomendam cautela antes de começar o quebra-quebra. ''O dono do imóvel precisa avaliar se a verba será suficiente para que o trabalho tenha qualidade'', avisa a arquiteta e decoradora Janine Pacheco. Ela recomenda que o cliente fique atento ao preço dos materiais e aos gastos com a mão-de-obra. ''Tudo isso deve ser somado aos valores para quebrar, retirar e jogar o entulho na caçamba.''
Inicialmente, é importante fazer uma planilha de custos e definir o valor do investimento. Feito isso, o segundo passo é convocar empreiteiros. Mais do que realizar bons orçamentos, os profissionais escolhidos devem ser indicados por amigos, cujas obras já realizadas possam servir de referência. Na conversa com os pedreiros, é preciso descrever tudo o que será feito durante a obra.
Economizar em algumas peças pode ser uma boa alternativa para não exagerar nos gastos. Os especialistas garantem, porém, que não vale a pena, por exemplo, investir em um piso caríssimo e não comprar canos de qualidade. ''No mercado há materiais de excelente qualidade com preços acessíveis. É bom ir às compras com quem entende do assunto'', diz o pedreiro Antônio Silva da Cruz.
Sobre o valor de uma reforma na cozinha, (com troca de piso e encanamento), Cruz calcula um gasto em torno de R$ 1 mil por metro quadrado (preço que pode cair para até R$ 500 dependendo da localização do imóvel).
Caso a intervenção seja em um apartamento, uma situação que aparentemente não é tão importante - mas que também faz diferença na hora de definir o preço - é preciso saber se o prédio tem elevador e se o apartamento fica nos últimos andares. ''Quanto mais alto, mais complicado é levar o material e descarregar o entulho no térreo. Outro complicador é o horário e dias da semana nos quais o prédio permite reformas, situação que pode estender o prazo'', alerta a arquiteta Priscila Belchior.
Depois do quebra-quebra
Após semanas de barulho, poeira e aquele entra-e-sai que parece não ter fim, é chegada a hora da recompensa: a decoração do espaço. Atualmente, os fabricantes de acessórios para as cozinhas têm se empenhado em desenvolver produtos que dão um toque mais pessoal para o local. Antes ligada aos afazeres domésticos, a cozinha hoje é sinônimo de um ambiente aconchegante, que aproxima a família e os amigos. É como se fosse um ''espaço gourmet''.
O design contemporâneo á que tem sido cada vez mais requisitado nas lojas especializadas - faz com que o cômodo seja um prolongamento das áreas sociais da casa, prevalecendo, claro, a praticidade. O hit do momento, no setor de móveis, é o conceito de horizontalidade. ''Os armários inferiores podem ser baixos e possuir gavetões e aramados que facilitam o acesso aos utensílios. A transparência permite a mesma agilidade'', adianta a arquiteta Graciela Piero.
Já as bancadas, que costumam ser usadas como superfície de apoio durante o preparo dos pratos, podem servir como mesa para refeições rápidas. ''Esse tipo de peça geralmente ganha melhor acabamento quando feito por marceneiros. As lojas de móveis costumam ter modelos limitados. O valor é mais alto, mas dependendo de quanto o cliente quer investir, compensa fazer um projeto exclusivo'', acredita o decorador Maurício Teixeira.

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