A casa dos anõezinhos sempre foi admirada
Construída durante a Segunda Guerra Mundial, quando Londrina ainda não tinha nem dez anos de existência, a casa dos anõezinhos na avenida Higienópolis, 1500, próximo à caixa dagua, tornou-se objeto de admiração. O estilo normando, com telhado em bico para evitar o acúmulo de neve, enxaimel (faixas marrons na fachada da casa, comum na arquitetura alemã) e os anõezinhos no jardim, eram elementos que já atraíam a atenção dos habitantes de Londrina na época de sua construção.
Roberto Júlio Roehrig veio de Curitiba para Londrina em 1939 junto com a esposa Mercedes Hauer Roehrig e os quatro filhos: Ruth, Leony, Milton e Júlio.
Para oferecer um conforto maior para a família, Roberto Roehrig comprou três lotes no final da cidade - na época Londrina acabava onde hoje é a Caixa DAgua, e começou a construir uma casa, em 1943.
Foram dois anos até que a família se mudasse. Como estavamos em época de guerra, meu pai encontrou dificuldades para construir a casa, lembra Ruth, a filha mais velha. Faltava tudo e para conseguirmos gasolina tinhamos que pedir na prefeitura, conta.
O projeto arquitetônico realizado pelo arquiteto Rubens Meister, o mesmo que anos depois fez os projetos do Centro Cívico, do Teatro Guaíra e do Palácio Iguaçu em Curitiba, previu uma casa espaçosa, simples e confortável. A casa não tem nenhum acabamento de luxo, mas é um lugar muito bom de morar, confortável, espaço e de extremo bom gosto, afirma Júlio Roehrig, o filho caçula da família.
Telha e tijolos de barro, telhado com cobertura de madeira, pisos em taco de caiúna - material nobre, mas comum na época em que a casa foi construída - janelas de madeira. Tudo foi projetado de forma que a família Roehrig tivesse conforto, sem luxo, como a época exigia.
Em um terreno de mil metros quadrados, a casa dos Roehrig tem 380 metros quadrados de construção. No andar de baixo três salas grandes, uma copa, uma cozinha, lavanderia e um banheiro. No andar de cima quatro quartos com 30 metros quadrados cada um e um banheiro. Espaço, simplicidade e conforto são marcas registradas da casa que durante cinco décadas abrigou a famíla Roehrig e a partir de setembro será aberta à comunidade em forma de arquivo cultural.
Dona Mercedes morou na casa até de 31 de julho de 1945 até junho de 1998. A filha Ruth afirma que sair da casa não deixou nenhum trauma. Acho teve a hora de entrar e a hora de sair. Esta hora chegou naturalmente, completa.foto: Dorico da SilvaA casa dos Roehrig: projeto realizado pelo arquiteto Rubens MeisterÉrika Pelegrino





