A preocupação mundial com a preservação dos recursos energéticos está transformando a ''estética verde'' em tendência na arquitetura, fazendo surgir uma nova geração de prédios auto-suficientes e provocando uma revolução na construção civil.
Os ''green buildings'', símbolos da arquitetura ecológica, integram o design arquitetônico a sistemas de automação e soluções paisagísticas que fazem deles uma construção auto-suficiente. Na receita dos projetos que andam revolucionando a construção civil, os principais ingredientes são: utilização de material reciclável para reduzir a poluição de sólidos e o consumo de energia; sistemas que usam energia renovável, como a luz do sol; projeto paisagístico para o conforto térmico; e sistemas para reciclar e tratar a água de chuveiros, pias e máquinas de lavar para a irrigação de áreas verdes, e assim reduzir o consumo de água potável.
Na liderança da revolução verde na construção civil está a cidade de Nova York. A cidade lançou, ainda em 1999 e na gestão do reconhecido mundialmente prefeito Rudolf Giuliani, um programa de incentivo à sustentabilidade na construção e reforma de edifícios que incluiu a criação do Office of Sustainable Design (entidade voltada à arquitetura verde) e do mais completo conjunto de normas relacionadas à construção de edifícios capazes de otimizar a utilização de recursos naturais e reciclar energia e água.
Normas que necessariamente não exigem altos investimentos, ao contrário, podem até ganhar incentivos em NY. ''A solução do arquiteto pode ser mais voltada às áreas envidraçadas, fazendo com que a luz do sol seja melhor aproveitada, isso significa priorizar recursos renováveis e economia, não só para o morador, como para toda a cidade''. A declaração é da ex-assessora da prefeitura de Nova York, Hillary Brown, que depois de ajudar a estabelecer o conjunto de normas para os ''greens buildings'', criou, no final de 2001, a New Civic Works, uma organização de apoio ao desenvolvimento da arquitetura verde.
A onda verde acabou atingindo também o governo estadual que aprovou uma legislação com incentivos fiscais e linhas de créditos especiais para construtoras dispostas a adotar os princípios de sustentabilidade. Dependendo das especificações, o construtor poderá receber créditos entre US$ 12 e US$ 48 por metro quadrado para levantar um ''green building'' crédito que pode chegar a US$ 25 milhões.
Para ter direito a estes benefícios, a empresa tem que submeter o projeto à avaliação do DEC, o departamento de preservação ambiental americano e órgão equivalente às nossas secretarias do Meio Ambiente. E para ser aprovado, o projeto deve promover a redução de consumo energético, oferecer boa qualidade de ar nos ambientes internos e adotar tcnologias que reduzam o impacto ambiental durante a construção.
O governo americano oferece esse tipo de benefício porque reconhece os benefícios gerados: energia eficiente reduz a poluição, a dependência do petróleo e os impactos ambientais. Além disso, ter boa ualidade de ar no ambiente de trabalho, por exemplo, melhora a produtividade e reduz custos com saúde.
Fontes de pesquisa e subsídios para esta reportagem: revistas New Way of Life (dezembro/2001 e março/2002), editadas com o patrocínio da FAL2

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