2005 deve ser melhor para a construção civil
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domingo, 09 de janeiro de 2005
Erika Zanon<br>Reportagem Local 
A retomada do crescimento econômico em 2004 que atingiu as grandes empresas do segmento da construção deve alcançar este ano o pequeno empresariado. Pelo menos é o que espera o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Norte do Paraná (Sinduscon-Norte), Junker de Assis Grassiotto. Devido a ações governamentais orquestradas no sentido de viabilizar o desenvolvimento do segmento, o empresário tem expectativas bastante positivas para o mercado que no ano passado teve um crescimento nacional de apenas 4%.
O primeiro passo começou já em dezembro com o anúncio de que o Conselho Monetário Nacional havia autorizado a Caixa Econômica Federal a investir R$ 12 bilhões no mercado imobiliário. ''O dinheiro deve entrar este ano, e se for investido metade dessa verba o cenário já vai ficar bastante diferente'', disse Grassiotto. Segundo ele, o banco tem mais R$ 15 bilhões que podem ser investidos.
''Quem ganha com isso não são só os empresários, mas as pessoas que trabalham na construção. Muitos trabalhadores serão admitidos'', acredita Grassiotto. Em uma análise rápida, o presidente do Sinduscon concluiu que se toda essa verba realmente for investida, podem ser criados mais de dois milhões de postos de trabalho. Grassiotto lembra que de acordo com dados da Fundação Getúlio Vargas são necessários R$ 7 mil em investimentos para gerar uma vaga no mercado da construção.
Outra ação que pode ajudar a alavancar o segmento, como destaca Grassiotto, é o Programa de Parcerias Público-Privadas (PPPs), aprovado recentemente no Congresso Nacional. O programa, segundo ele, permite investimentos em uma obra tanto de empresas privadas quanto pública.
Outro ponto que deve beneficiar o setor, conforme disse o empresário, é a Lei do Patrimônio de Afetação, sancionada em agosto do ano passado. ''A lei dá um respaldo jurídico muito mais forte ao Sistema Financeiro da Habitação, o que consequentemente aumenta os investimentos. Tanto os bancos quanto os empresários sentem mais segurança em realizar contratos'', acrescentou.
O presidente do Sindicato dos Empregados da Construção Civil de Londrina (Sintracon), Denílson Pestana, também aposta nas ações do governo para aquecer o segmento este ano. ''Se todos essas propostas forem colocadas em prática podemos aquecer significativamente o setor e mudar as relações trabalho, assim como as negociações salariais'', confirmou.
A cidade, segundo Pestana, tem hoje 3,3 mil trabalhores com carteira assinada e outros 3 mil em atividades informais. ''Se o governo cumprir o que anunciou e a prefeitura continuar investindo na construção podemos mudar esse quadro'', garantiu.
Para Pestana, 2005 deve continuar a boa fase do ano passado. Em 2004, de acordo com ele, Londrina e cidades da região receberam alguns investimentos importantes. Tanto o setor privado como o público colocaram em prática muitas obras e abriram dezenas de postos de trabalho. ''Teve uma obra que sozinha, no auge da construção, empregou 450 pessoas'', destacou o presidente do Sintracon, lembrando que esses investimentos fizeram com que o ano passado fosse bem melhor que 2003.


