Zylbersztajn critica nacionalismo nas críticas a Reichstul
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de março de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 23 (AE) - O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, comparou ao nazismo possíveis reações contrárias à nomeação de Henri Philippe Reichstul para a presidência da Petrobrás, pelo fato de o banqueiro não ser brasileiro nato. "Ele veio para o Brasil com cinco anos de idade e é tão brasileiro quanto qualquer um de nós", disse Zylbersztajn, que considerou "ridícula e perigosa" a abordagem dessa questão por um desvirtuado ângulo nacionalista. "O nazismo começou assim", advertiu.
A principal mudança iniciada na Petrobrás, segundo Zylbersztajn, é a composição eclética do Conselho de Administração. "Não há predominância de nenhum pensamento no conselho e isto é muito importante", comentou, elogiando a capacidade técnicas das pessoas escolhidas.
Ele desdenhou as críticas à falta de experiência no setor de petróleo, dizendo que os conselheiros têm de ter capacidade administrativa. "O conselho analisa as estratégias da empresa, entender de petróleo é muito relativo", afirmou, lembrando que ele próprio foi alvo das mesmas críticas quando assumiu a direção geral da ANP.
"A diretoria, sim, terá uma característica mais técnica
que dependerá das indicações do ministro das Minas e Energia e do presidente da empresa", comentou. "Não existe sábio no mundo que diga que entenda de toda a cadeia produtiva de petróleo", ironizou. "O importante é que o conselho tem pessoas com capacidade de traçar estratégias."


